A um outro arguido foi decretada a suspensão de funções como administrador de insolvência.
Um ex-administrador de insolvência ficou esta segunda-feira em prisão preventiva depois de detido na operação Cinderela, que investiga um alegado esquema criminoso usado em processos de insolvência que permitiu beneficiar os insolventes em prejuízo dos reais credores.
Em 3 de março a Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção, na zona Norte, de três ex-administradores de insolvência, de um advogado e de seis empresários e comerciantes, os quais foram presentes a primeiro interrogatório judicial junto do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto.
Fonte judicial indicou à agência Lusa que o TIC do Porto aplicou a um dos ex-administradores de insolvência a medida de coação mais gravosa, e a outro a suspensão de funções como administrador de insolvência, a proibição de exercer qualquer cargo em empresas, a proibição de contactos com qualquer testemunha ou arguido neste ou noutro inquérito, e a proibição de entrar em qualquer Tribunal de Comércio em Portugal.
Outros quatro arguidos ficaram com o Termo de Identidade e Residência (TIR) e proibidos de contactar com intervenientes neste inquérito, enquanto os restantes quatro detidos ficaram sujeitos apenas a TIR.
Os arguidos têm idades entre os 44 e os 77 anos.
No comunicado divulgado a 3 de março, a PJ indicou que os detidos se encontram indiciados pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção, burla qualificada, insolvência dolosa, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, que terão sido praticados, pelo menos, entre 2023 e 2025.
"A investigação incide sobre a atuação organizada e concertada dos detidos, intervenientes em processos de insolvência e/ou de recuperação de empresas, no âmbito das suas funções profissionais, num esquema criminoso que permitiu beneficiar os insolventes e viabilizar a apropriação de património em prejuízo dos reais credores", detalhou a PJ.
Outra fonte judicial disse nesse dia à Lusa que esta investigação é autónoma daquela que levou à detenção do advogado Paulo Topa, em dezembro de 2025, por suspeitas de corrupção num esquema de desvio de fundos em processos de insolvência e recuperação de empresas.
Paulo Topa encontra-se em prisão preventiva ao abrigo desse processo, que tem ligações com esta investigação.
Segundo a investigação, através de pessoas singulares e/ou coletivas da sua confiança, que se apresentavam com créditos fictícios e documentação forjada, os envolvidos garantiam o imediato reconhecimento de credores sem a devida comprovação da dívida.
"Estes créditos fictícios, além de permitirem a apropriação imediata de bens móveis ou imóveis, asseguravam a aprovação dos planos de recuperação, para que os devedores pudessem tirar proveito dos seus efeitos, suspendendo a ação dos reais credores e dissipando o património existente", lia-se no comunicado da PJ.
No âmbito da operação Cinderela foram executadas 18 buscas domiciliárias e não domiciliárias, que visaram residências, empresas e escritórios de advogados, tendo sido apreendidos elementos probatórios de diversa natureza, designadamente, documentação, material informático, quantias monetárias, objetos de luxo e viaturas de gama alta, relacionados com a prática dos crimes em investigação.
O inquérito é titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional do Porto.
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