Demora na entrada dos adeptos do Real Betis, esclarece a PSP, deveu-se exclusivamente à suspeita "inteiramente fundada" de que adeptos espanhóis transportavam pirotecnia.
A PSP rejeitou este sábado a acusação do Betis sobre uma alegada "situação perigosa" no jogo da Liga Europa com o Braga, afirmando que os atrasos nas revistas se deveram à deteção de pirotecnia.
Em resposta à agência Lusa, aquela força policial garantiu que, tratando-se de um evento de risco elevado, foi reforçado o policiamento na cidade antes, durante e após o encontro de quarta-feira da primeira mão dos quartos de final da Liga Europa, tendo a operação de segurança decorrido sem incidentes críticos.
Contudo, entre o ponto de encontro dos adeptos do Betis e a chegada ao Estádio Municipal de Braga foram deflagrados vários artefactos pirotécnicos, o que motivou, por duas vezes, o reforço das revistas de segurança, da responsabilidade do clube visitado, mas realizadas sob condições asseguradas pela polícia.
A demora na entrada dos adeptos do Real Betis, esclarece a PSP, deveu-se exclusivamente à suspeita "inteiramente fundada" de que adeptos espanhóis transportavam pirotecnia, suspeita que se confirmou e que resultou no levantamento de quatro autos de contraordenação por posse de material explosivo, na detenção de um indivíduo e na expulsão de dois adeptos do recinto.
Esta posição contraria a queixa formal apresentada pelo clube espanhol à UEFA, na qual o emblema de Sevilha alega que os seus adeptos viveram uma "situação perigosa e insegura" nas entradas do estádio, tendo sido mantidos numa escadaria "durante uma hora e meia em condições deploráveis".
Confrontada com estas acusações, aquela força policial esclarece que o recinto dispõe de uma entrada exclusiva e segregada para adeptos visitantes, com um parque para 30 autocarros, e que a escadaria de acesso, apesar de longa, "não registou situações de alteração de ordem pública ou outras que pusessem em causa a integridade física dos adeptos, nomeadamente situações de pânico".
Segundo a PSP, os últimos adeptos do Betis entraram no estádio pelas 18:05, sem qualquer incidente registado.
A operação, acrescenta, foi acompanhada por dois 'spotters' do Corpo Nacional de Polícia espanhol, tendo o comandante do policiamento da PSP mantido contacto com o delegado de segurança da UEFA antes e após o jogo.
"Não houve qualquer indicação por parte do delegado de segurança da UEFA sobre qualquer prática policial antes, durante ou depois do encontro", concluiu aquela autoridade policial.
O esclarecimento surge após o Betis ter anunciado, na quinta-feira, a apresentação de uma queixa formal à UEFA devido à "situação perigosa e insegura" vivida pelos adeptos nas entradas do estádio, na quarta-feira, antes do jogo da primeira mão dos quartos de final da Liga Europa, diante do Sporting de Braga.
O emblema andaluz considera que "a operação de segurança organizada pelo clube visitado e pela polícia nacional portuguesa foi claramente insuficiente para facilitar a entrada de mais de 1.700 adeptos no setor visitante do estádio", causando "graves danos a muitos deles, que entraram no estádio após o 25.º minuto de jogo".
O Betis afirma ainda que durante o encontro comunicou o seu "protesto aos dirigentes da UEFA presentes no jogo", tendo estes "reconhecido as falhas na operação de segurança".
O clube espanhol considera ainda que o cortejo organizado para transportar os adeptos do ponto de encontro para o estádio "não foi agendado pelas autoridades portuguesas com a antecedência suficiente para permitir revistas ordenadas e facilitar a entrada dos adeptos, resultando num grave congestionamento".
Ainda na quinta-feira, numa reação às acusações do Betis, o Sporting de Braga rejeitou responsabilidades, explicando que a saída do ponto de encontro foi atrasada, o que condicionou a chegada ao estádio, e que a deteção de pirotecnia e bilhetes irregulares obrigou a revistas mais demoradas.
Contrariamente ao afirmado pelos espanhóis, os minhotos garantem que todos os adeptos entraram até ao minuto 15.
O clube esclarece ainda que passou todas as informações à UEFA, estando "totalmente disponível para esclarecimentos adicionais que sejam necessários".
A Lusa contactou a UEFA, mas até ao momento não foi possível confirmar a abertura de um inquérito aos alegados incidentes registados naquele jogo da primeira mão dos quartos de final da Liga Europa.
A eliminatória, que se encontra empatada 1-1 após o jogo de quarta-feira, será decidida no próximo dia 16 de abril, em Sevilha.
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