Francisca Laranjo
JornalistaTânia Laranjo
JornalistaRecomeçou esta quinta-feira o julgamento de Cláudio Coimbra e Vadym Hrynko, os dois ex-fuzileiros suspeitos de matar Fábio Guerra, o agente da PSP assassinado à pancada, em março do ano passado, à porta da discoteca Mome, em Lisboa.
Esta quinta-feira foram ouvidas as últimas testemunhas e à tarde seguiu-se a intervenção do Ministério Público e das defesas dos arguidos Cláudio Coimbra e Vadym Hrynko.
A família do agente da PSP reclama uma indemnização de cerca de meio milhão. Os arguidos arriscam a pena máxima.
Recorde o que foi dito nas últimas sessões de julgamento.
Cabo Fonseca: "Eu tentei saber se ele [Cláudio] tinha sido um dos agressores"
Começa a sessão do julgamento com o Cabo Fonseca a ser ouvido por videochamada através do telemóvel. Está em Moçambique numa ação militar.
O cabo Fonseca conhece os arguidos do curso de fuzileiros e da base onde eles estavam.
A defesa de Cláudio Coimbra pergunta: "Pode relatar o primeiro contacto que teve? Como é que teve conhecimento dos factos?"
O cabo Fonseca reponde: "Passava da hora de almoço e o Cláudio Coimbra ligou-me. Disse-me que esteve envolvido numa confusão, à porta de uma discoteca. Nós não tínhamos noção ainda [do que tinha acontecido]".
"Ele disse-me que um dos elementos envolvidos estava hospitalizado", refere.
"Eu tentei saber se ele [Cláudio] tinha sido um dos agressores. Eu disse-lhe logo que perante isto tínhamos de comunicar para a estrutura", revela ainda.
Cabo Fonseca contradiz-se sobre como soube que os confrontos tinham sido com agentes da PSP
O cabo Fonseca prossegue e refere que os ex-fuzileiros lhe relataram que tinham sido agredidos à porta da discoteca numa confusão com agentes da PSP.
"O que me disseram era que a história que eles contaram batia certo", adianta.
"Eu não vi qualquer tipo de imagens quando falei com eles", sublinhou.
A defesa pergunta: "O Cláudio era um militar com um comportamento regular? Alguma vez tiveram algum problema?
"Mais concretamente do Cláudio, fizemos uma missão juntos em 2021. Ele estava dentro dos padrões. Foi sempre obediente. Foi sempre correspondendo ao que era exigido. Nunca houve qualquer tipo de problema", responde o cabo Fonseca.
A testemunha dá conta que quando souberam da morte de Fábio Guerra "foram acionados os serviços de piscologia".
"Ficámos em baixo quando soubemos da morte", avança.
Quando a juíza o questiona de que forma soube que na confusão estavam envolvidos agentes da PSP, o cabo Fonseca contradiz-se.
"Soube pela comunicação social", acaba por declarar.
A juíza insiste: "Eles quando ligaram já sabia ou foi o cabo que deu a notícia que eram PSP?"
"Eles reportaram uma rixa e que um dos elementos estava hospitalizado", refere o Cabo Fonseca.
"Eles já sabiam que eles eram PSP", prossegue a testemunha.
A testemunha é dispensada.
Procurador queria que reportagem da CMTV sobre formação dos ex-fuzileiros fosse adicionada ao processo
Os arguidos afirmaram em tribunal que só tinham tido 4 ou 5 aulas de defesa pessoal, mas uma reportagem da CMTV, que acompanhou os fuzileiros, mostra uma formação intensa.
O procurador quer que a reportagem em causa seja avaliada e adicionada ao processo, mas a juíza nega, não considerando a reportagem como meio de prova.
O tribunal recusou ainda ouvir um perito médico-legal pedido pelas defesas dos arguidos numa tentativa de desqualificar o crime de homicídio e defender antes a hipótese de um crime de ofensas corporais. A tese de que vítima morreu de aneurisma deverá ser defendida pelas defesas dos acusados nas alegações finais.
Pausa na sessão. O julgamento da morte do agente da PSP Fábio Guerra é retomado às 14h com as alegações finais.
Procurador diz que arguidos sabiam que dar pontapés quando Fábio Guerra estava no chão podia “causar a morte”
O procurador Luís Lourenço começa por dizer que se espera que a imparcialidade do tribunal do júri.
"Quem não sente, não é filho de boa gente", sublinha.
O procurador prossegue e diz que após visualizarem os vídeos, retificaram algumas partes das declarações dos arguidos.
"Deve ter-se em conta as testemunhas apresentadas pelo Ministério Público, que nos pareceram credíveis", refere.
O procurador continua: "Deve ter-se em conta a restante prova nomeadamente exames periciais, documentação, vídeos".
"Há aqui um excesso de reação por parte do Vadym. Fez com que [Cláudio Pereira] caísse inanimado no chão", diz o procurador.
"Sabiam que ao dar pontapés podiam causar a morte [a Fábio Guerra]", refere ainda.
Luís Lourenço avança e diz que violência das agressões "era visível nas imagens".
"A cada murro de Cláudio, a pessoa cai inconsciente. Vemos isso no Cláudio Pereira e no Fábio Guerra", destaca o procurador.
Procurador afirma que causas da morte de Fábio Guerra foram as lesões sofridas "pela ação dos dois arguidos"
O procurador afirma que causas da morte de Fábio Guerra foram as lesões sofridas "pela ação dos dois arguidos".
Os pais de Fábio Guerra estão em lágrimas enquanto escutam o procurador.
Procurador afirma que ex-fuzileiro não pode "apanhar menos de 20 anos" pela morte de Fábio Guerra
O procurador afirma que Cláudio deve ser condenado por homicídio qualificado e dois crimes de homicídio qualificado na forma tentada.
Relativamente a Vadym, o procurador pede que este seja condenado por um crime de homicídio e dois crimes de ofensas corporais.
Claúdio não pode "apanhar menos de 20 anos" pela morte de Fábio Guerra, refere o procurador.
Advogado dos pais de Fábio Guerra afirma que arguidos não respeitaram os Fuzileiros no dia das agressões
O advogado dos pais de Fábio Guerra, Ricardo Serrano Vieira, toma a palavra e manifesta tristeza e os sentimentos pela morte do agente da PSP e enaltece as alegações do Ministério Público.
"Quem integra os fuzileiros tem uma preparação física acima da média. Não praticarem boxe [arguidos] desde 1995 é uma formalidade apenas. Não está lá. Mas é evidente que os dois arguidos tinham conhecimentos de técnicas de defesa pessoal", começa por dizer.
Ricardo Serrano Vieira continua: "Nas imagens vê-se Cláudio a sair. Depois abraça um segurança".
"Eu não vou a uma discoteca e à saída não me abraço ao segurança. Tem de ficar demonstrado que há uma relação com esse elemento", sublinha.
Sobre as agressões praticadas pelos dois arguidos, o advogado dos pais da Fábio Guerra não tem dúvidas. "Por parte de Vadym e Cláudio o movimento deles é quase igual. Perna esquerda para a frente, direita para trás. Rodar a anca e projetar um soco", refere. "Isso é demonstrativo da técnica que têm", destaca Ricardo Serrano Vieira.
O advogado dos pais de Fábio Guerra continua o discurso e afirma que arguidos não respeitaram os Fuzileiros no dia das agressões.
"O que é que se esperava dos fuzileiros naquela noite?, pergunta. "Esperava que alguém que tem como missão proteger os portugueses, com um nível de exigência tão grande. Aguardavam uma missão para ir para a Lituânia. São os melhores, dos melhores e desses não se espera este comportamento", refere Ricardo Serrano Vieira.
“Ele foi surpreendido, não teve oportunidade de defesa”: Advogado dos pais de PSP pede condenação dos arguidos
O advogado dos pais de Fábio Guerra pede a condenação dos arguidos. "Ele foi surpreendido, não teve oportunidade de defesa", refere Ricardo Serrano Vieira.
A defesa continua: "Não há dinheiro nenhum que pague o sofrimento que estes pais têm passado".
O advogado dos pais de Fábio Guerra sublinha que o agente da PSP era "uma pessoa amiga". "Ajudava os outros. Ir para a polícia sempre foi o que ele quis fazer. É deveras triste que na situação em concreto quem mais devia ter salvaguardado a vida humana, não o tenha feito", lamenta Ricardo Serrano Vieira.
Pausa de 10 minutos na sessão do julgamento da morte de Fábio Guerra
“Foi um prazer fazer a defesa de Vadym. Desde o primeiro dia que este rapaz me conta a primeira história”, diz advogado
A sessão de julgamento recomeça com a defesa de Vadym a tomar a palavra.
"Não existe perda maior que a vida humana", começa por dizer.
O advogado de defesa de Vadym prossegue, referindo que o arguido só deve ser julgado pelo seu comportamento e não pelo de Cláudio Coimbra. "As situações não podem ser contaminadas", sublinha.
A defesa de Vadym considera grave o facto de que tenha sido produzida uma "acusação de ofensas à integridade física" e que agora seja dito que se trate de "tentativa de homicídio".
"Vadym não vai encostado à parede, vai direto à lateral de Fábio Guerra. Dá-lhe um murro, coloca o pé esquerdo à frente, direito atrás, anca roda. O Fábio cai no chão e o Vadym dá-lhe um pontapé", descreve a defesa do arguido.
"Foi um prazer fazer a defesa de Vadym. Desde o primeiro dia que este rapaz me conta a primeira história", diz o advogado no final da intervenção.
"Eles não são de fugir quando são agredidos": Defesa de Cláudio Coimbra desvaloriza agressões a Fábio Guerra
O advogado de defesa do arguido Cláudio Coimbra começa a intervenção, referindo que "a maior tragédia foi a morte de Fábio Guerra".
"O procurador arrolou 20 testemunhas. Todas as que percebeu que não iam corroborar, prescindiu delas", critica a defesa.
O advogado do arguido desvaloriza ainda as agressões a Fábio Guerra: "Eles [ex-fuzileiros] não são de fugir quando são agredidos".
A defesa de Cláudio Coimbra passa a mostrar o resultado da autópsia de Fábio Guerra com base na imagem de um crânio e coloca em causa as agressões que causaram a morte do agente da PSP.
"As pessoas têm de ser responsabilizadas pelos factos", refere o procurador
O procurador toma a palavra depois de a juíza pedir a todos uma síntese.
"Aquilo que eu tentei provar aqui é o que as testemunhas sabiam em concreto. Nunca fui eu que respondi a perguntas feitas às testemunhas. Deixei que falassem, que se identificassem", começa por referir.
O procurador continua referindo que "as pessoas têm de ser responsabilizadas pelos factos".
"Relativamente ao pontapé, sim. O Vadym dá só um pontapé, retifico essa parte", corrige ainda.
É a vez do advogado de Vadym falar e aproveita para dizer que a defesa de Cláudio tentou "aligeirar responsabilidades" do arguido com "pseudociência".
A leitura da sentença do caso da morte de Fábio Guerra ficou agendada para 5 de maio, às 9h20
Ministério Público quer alterar a acusação de Vadym, um dos arguidos do caso da morte do agente da PSP Fábio Guerra, para um crime de homicídio qualificado, um crime de homicídio na forma tentada, um crime de ofensa qualificada e um crime simples
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