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Correio da Manhã

Portugal
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Relatos de portugueses em Bruxelas

Cidade está paralisada.
Catarina Correia Rocha 22 de Março de 2016 às 10:47
O aeroporto principal de Bruxelas após as explosões
O aeroporto principal de Bruxelas após as explosões FOTO: Twitter
Rui Carvalho
As explosões ocorreram "momentos antes" de Rui Carvalho ter começado a trabalhar. O português, que é funcionário do aeroporto de Bruxelas, tinha-se dirigido à casa de banho quando tudo aconteceu.

À CMTV, começa por relatar que "as duas explosões foram muito próximas uma da outra".


"Ficámos ali um bocado presos na casa de banho. Tivemos ordem de um dos militares para ficar ali num canto. Para não sairmos dali", conta Rui Carvalho, acrescentando que, nesse momento, existia a possibilidade de "haver uma terceira bomba no piso das chegadas".

E era exactamente nesse local que o português se encontrava: "Estávamos numa das casas de banho do canto e ali ficámos dois ou três minutos até que nos deram ordem para fugirmos dali".

Rui Pedro

Rui Pedro é advogado em Bruxelas e viveu de perto os atentados desta manhã na capital belga. A estação onde ocorreu a explosão é a mais perto de sua casa.

No momento em que falou à CMTV, relatou uma cidade caótica: "Neste momento não adianta sair de casa porque o quarteirão está completamente bloqueado".

"Não se pode entrar nem sair da Comissão Europeia. As pessoas que estão lá, estão lá bloqueadas. E eu estou à espera de ir para a rua quando puder", acrescentou em direto.

 

Nelson Mendes

Nelson Mendes é guia turístico e estava na capital belga a acompanhar um grupo de 22 alunos. O primeiro contacto com os atentados ocorreu quando desceram para o pequeno-almoço: "Começaram as chamadas dos pais, preocupados. Este grupo é composto por menores de idade", afirmou à CMTV.

Optaram por voltar a subir aos quartos por "uma questão de precaução", visto que a sala de refeições é "toda em vidro". "Passámos a manhã toda dentro do hotel", relatou.

O dia deste grupo ia ser marcado por visitas ao Parlamento: "Íamos fazer a mesma linha de metro e sair na mesma estação [dos atentados]. Tínhamos uma visita ao hemiciclo e íamos ser recebidos por um eurodeputado", explicou Nelson Mendes.

Os transportes "deixaram de funcionar" e, zelando pela segurança, acabaram "por ficar no hotel". 


Joaquim Marques

Joaquim Marques é um dos portugueses que neste momento se encontra na capital belga e que viveu de perto os atentados desta manhã. "Quando estava a ir de casa para o escritório ouvi pela rádio que tinham havido duas explosões no aeroporto", começa por contar ao CM.

Ao aproximar-se do emprego, ouviu a explosão na estação de metro de Maalbeek. Já não conseguiu chegar ao escritório: "Estacionei num edifício da Comissão Europeia. A cidade está paralisada, não há transportes".

O nível de segurança em Bruxelas "foi elevado de três para quatro e as fronteiras estão a ser reforçadas".

Quando falou ao CM, Joaquim Marques estava no estacionamento do edifício e sabia que as próximas instruções seriam no sentido de se deslocar de novo para casa. "Estamos à espera de informações da segurança", garantiu.

Olhando para a praça Schuman, o português apenas vislumbrava "um ou outro carro… muito pontual". 

Sérgio Batista

Os atentados desta manhã em Bruxelas foram também testemunhados por Sérgio Batista, português que trabalha na Comissão Europeia, "a 200 metros de Schuman e 700 de Maalbeek", estação onde ocorreu uma das explosões. 

"Trabalho em Schuman e li a noticia dos atentados no aeroporto enquanto estava no metro", começa por contar ao CM. Saiu nessa estação e soube o que estava a acontecer "uns minutos depois".

Conseguiu chegar à Comissão Europeia, onde é Communication Officer at Europe Direct, e viu "uma nuvem de fumo a partir da janela do edifício" devido à explosão: "Começámos logo a ouvir as ambulâncias e a polícia no exterior, enquanto toda a gente se mantinha silenciosa dentro do escritório".

Bruxelas foi, nesta manhã, "uma cidade caótica". "Nada funciona – transportes nem supermercados – vai fechar tudo, tal como durante o lockdown".

Sérgio mantém-se calmo mas há "colegas muito perturbados". Estão todos a trabalhar "como se nada fosse" embora "espreitem as notícias".

A intenção é continuar a trabalhar: "Não podem meter 40 mil pessoas na rua sem qualquer transporte a funcionar e com o trânsito cortado", justifica.

Amanhã talvez não vá ao escritório, "por podermos trabalhar a partir de casa".

Albano Figueiredo

Albano Figueiredo emigrou para Bruxelas em 1994. Esta manhã, a cidade está "caótica". Acordou "com o sobressalto" dos atentados e, desde esse momento, tem acompanhado os desenvolvimentos "pela comunicação social".

"Não saímos dos nossos locais. Há movimentos de helicópteros e é complicado", relata.

Albano descreve uma "confusão total". Conta que a "Escola Europeia estava de férias mas as outras estavam abertas na altura dos atentados. Agora, foram encerradas". Não há transportes e consegue ver "muita gente nas ruas" através da sua churrasqueira, um pouco mais afastada do centro dos acontecimentos.

Os clientes continuam a aparecer com a aproximação da hora do almoço: "Os habituais aparecem mas estão sobressaltados. Temos de continuar a viver, não é?".

"Até novas ordens", vão continuar abertos. 

 

Portuguesa entre os feridos da estação de metropolitano
Uma portuguesa de 30 anos ficou esta terça-feira ferida na explosão ocorrida na estação de metro de Maalbeek, disse à Lusa o secretário de Estado português das Comunidades, José Luís Carneiro.

A jovem, natural de Coimbra, "encontra-se fora de perigo", foi assistida no hospital e já está em casa. "Conseguimos apurar esta informação fora do quadro das informações oficial", explicou o governante.

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