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Correio da Manhã

Portugal
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Rui Pedro: Família destroçada com pistas falsas

A cada telefonema, a cada carta recebida o coração dos pais de Rui Pedro, o menino desaparecido de Lousada quando tinha onze anos, batia mais forte. Era uma nova esperança, um sinal de que o menor podia estar vivo. Mas, as mais de cem pistas recebidas ao longo de 13 anos revelaram-se infundadas e apenas serviram para aumentar ainda mais a dor dos pais.
19 de Março de 2011 às 00:30
Manuel Mendonça e a mulher Filomena receberam várias pistas falsas sobre o paradeiro de Rui Pedro (na foto)
Manuel Mendonça e a mulher Filomena receberam várias pistas falsas sobre o paradeiro de Rui Pedro (na foto) FOTO: DR

A primeira pista falsa foi recebida a 13 de Março de 1998, apenas nove dias após o desaparecimento do menino. Um homem ligou para casa da família, gritou a palavra ‘pedofilia’ ao telefone e desligou. Não tinha qualquer informação sobre Rui Pedro e muito menos sabia o paradeiro do menor. Mas, o calvário dos pais de Rui Pedro ainda mal tinha começado. Dez dias depois seguiu-se uma pista de que o menor tinha sido visto numa bomba de gasolina em Espanha. A PJ foi ao local, mas mais uma vez era mentira.

Seguiram-se telefonemas de todo o género. Uns diziam que Rui Pedro estava em casa de um jogador da Corunha, em Espanha, outros indicavam que estava na Holanda e que lhe iam retirar os órgãos.

Houve também quem se aproveitasse do sofrimento da família para vinganças pessoais. Foi o caso de uma mulher no Montijo. Denunciou o ex--cunhado como sendo o raptor do menino, pois acreditava que era o responsável pela morte da sua irmã que se tinha suicidado meses antes.

O avô materno de Rui Pedro foi, no entanto, um dos que mais sofreu com os sucessivos enganos. Dono de uma extensa fortuna, viu-se atacado por uma série de pessoas oportunistas. Recebeu cartas anónimas de um vizinho que lhe chegou a pedir vários milhões para indicar o paradeiro do neto e alugou um carro para um presidiário que durante uma saída precária, e com uma autorização especial, foi ao estrangeiro alegadamente para "salvar" o neto Rui Pedro.

AMIGO TENTOU SUICÍDIO

O desaparecimento de Rui Pedro provocou um enorme sofrimento não só na família, mas também nos amigos mais próximos do menino. Cerca de dois meses após o desaparecimento da criança, o melhor amigo de Rui Pedro, que andava com ele na escola de Lousada, tentou suicidar-se. Durante as férias da Páscoa os pais apanharam a criança com uma corda ao pescoço, com a qual tentava enforcar-se.

A situação deixou os pais do menino em choque. Receosos de que o filho pudesse estar a ser ameaçado por alguém, contactaram a Polícia Judiciária. Em conversa com os inspectores, o menino explicou que apenas sentia muita falta e saudades do amigo e que temia que algo de mal lhe tivesse acontecido. A criança revelou ainda que sentia muito medo que alguém também o raptasse.

PRIMO TAMBÉM RECEBEU TELEFONEMAS

João André, primo de Rui Pedro, também chegou a receber telefonemas em casa. Todas as semanas o jovem, que ao contrário do menor não compareceu ao encontro marcado com Afonso, e a família eram informados de uma nova pista.

"Até para minha casa chegaram a ligar, não sei como descobriam os nossos números de telefone. Os meus tios difundiram os contactos deles, mas nós nunca o fizemos", explicou o jovem.

João André recorda que a família sofreu muito durante estes treze anos, em especial o avô de Rui Pedro. "Ele correu tudo, chegou a estar num descampado toda a noite porque disseram-lhe que iam lá entregar o Rui Pedro. Sofreu muito", garante João, que é um ano mais velho do que o primo.

RUI PEDRO INVESTIGAÇÃO DESAPARECIDO
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