Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque, costuma dizer-se para separar o usufruto do prazer do exercício da profissão. A expressão deve ser revista à luz das conclusões a que chegou uma investigadora norte-americana em Sexologia.
Kari Lerum, da Universidade de Washington, sustenta que sexo e trabalho fazem uma bela dupla. O psicólogo, com trabalho na área da Sexologia, Nuno Nodin admite que assim seja em algumas situações.
O estudo de Kari Lerum, publicado recentemente na revista ‘Gender & Society’, sugere que os encontros sexuais entre colegas de trabalho resultam mesmo em aumentos de produtividade. “Em condições adequadas, podem melhorar o sentido de camaradagem, o que é positivo para os trabalhadores e para a empresa, pois os empregados sentem-se mais felizes, mais integrados na equipa, trabalham mais e são mais produtivos”, assinala a investigadora.
CASOS MAL RESOLVIDOS
Nuno Nodin acredita que um relacionamento afectivo que dê origem a um de cariz sexual entre colegas é benéfico. “Pode ser uma razão para alguém se levantar e ir trabalhar de manhã”, sublinha, sem deixar de observar o reverso da moeda: “Se se tratar apenas de contactos sexuais sem relacionamento afectivo, a situação pode tornar-se difícil de gerir.” Mas mesmo a afectividade funciona, em ambiente de trabalho, para o bem e para o mal. Se é verdade que no início motiva, quando a relação acaba dá azo ao ressentimento. Normalmente, os desavindos separam-se, deixam de ver-se. No trabalho, são obrigados à coabitação. E então Nuno Nodin?
“Os factores relacionados com o afecto e com o sexo facilitam mas também podem prejudicar o desempenho laboral”, constata o psicólogo, referindo-se, por exemplo, à compreensível má vontade dos ex-amantes que têm de trabalhar em parceria. Não descarta igualmente que quem se sente lesado possa tentar prejudicar o outro no trabalho. “Relações mal resolvidas podem originar situações muito complicadas com reflexos na empresa”, alerta.
Kari Larum alicerça o estudo nas observações feitas ao longo dos 14 meses em que trabalhou em três tipos diferentes de restaurantes. Nuno Nodin repara na falta de representatividade da amostra, considerando que a investigação seria mais interessante se tivesse sido conduzida no contexto de uma empresa, uma escola ou uma universidade.
NADA A VER COM ASSÉDIO SEXUAL
Kari Lerum nota que as conclusões do estudo que conduziu, sobre o carácter benéfico do sexo no trabalho, não podem ser usadas para justificar os casos de assédio sexual, considerados “um verdadeiro problema em muitas empresas”.
O assédio sexual – em Portugal tipificado no Código do Trabalho – envolve a capacidade de causar prejuízo a alguém que não cede aos avanços de outro, usual mas não necessariamente um superior hierárquico. As questões de poder no local de trabalho não são considerados no estudo de Kari, que aborda apenas os efeitos do relacionamento sobre o ambiente laboral e a produtividade. Neste contexto, é suposto que qualquer avanço não correspondido não implique uma ‘vingança’.
RELAÇÕES NÃO DURAM MUITO
“As relações fortuitas são as mais frequentes e o meio laboral não favorece a sua sedimentação. É competitivo por natureza e rapidamente aquilo que aproxima também pode afastar.” Para Catarina Mexia, psicoterapeuta, entrevistada pelo Correio da Manhã a propósito de um artigo sobre sexo no trabalho publicado no ano passado, o sexo entre colegas não é inevitável. “O que acontece é que há situações afectivas que se estabelecem e acabam por dar em sexo.”
A psicoterapeuta faz a diferença entre os ambientes doméstico e laboral: “No trabalho partilhamos o ‘stress’, as preocupações e a falta de apoio. Quando chegamos a casa precisamos de focar-nos em aspectos práticos: os filhos, as dificuldades financeiras, o cansaço, a sogra. Sobra pouco tempo para partilharmos as coisas do trabalho.”
Catarina Mexia considera que o trabalho favorece a relação sexual, pois, na medida em que “estamos envolvidos numa actividade que exige muito de nós, há uma boa dose de adrenalina, que é um óptimo afrodisíaco. Se tivermos um objectivo a cumprir e houver alguém do nosso lado com o mesmo objectivo, há uma aproximação”.
No entender da psicoterapeuta, as profissões com mais ‘stress’, na Saúde ou na Justiça, são as mais propícias a relacionamentos.
'IA TRABALHAR BEM DISPOSTA'
Mariana*, 30 anos, jurista*
Correio da Manhã – Não pensou duas vezes antes de iniciar uma relação sexual com um colega de trabalho?
Mariana – No início tive algumas dúvidas, mas eu gostava de um homem, ele gostava de mim e não podíamos estar um com o outro porque trabalhávamos no mesmo sítio?! Havia de ser um grande disparate.
– A sua atitude em relação ao trabalho mudou então?
– Sim, para melhor, a entidade patronal ganhou com isso... (risos) Ia trabalhar bem-disposta pois sabia que ele estava lá.
– Ia... Já não vai?
– A relação terminou e eu, entretanto, mudei de emprego.
– Mudou de emprego porque a relação acabou?
– Não foi uma consequência directa. Outra empresa ofereceu-me melhores condições.
– Trabalharam os dois quando a relação já tinha terminado?
– Sim. Mantivemos a ‘compostura’. Mas é difícil. Perde-se a tal boa-disposição.
*nome fictício
SERVIR MESAS
Kari Lerum trabalhou durante 14 meses como empregada de mesa em três restaurantes: um muito frequentado por homossexuais, noutro os empregados trabalham nus e os clientes do terceiro são famílias.
PERMISSIVOS
Nos primeiros restaurantes - um onde os empregados servem nus, outro frequentado por homossexuais –, as conversas e os encontros sexuais eram habituais, mas não no de ambiente familiar.
CLIENTES NÃO
A sexóloga analisou as conversas de carácter sexual mantidas entre trabalhadores e supervisores, não as que envolviam empregados e clientes. No restaurante frequentado por ‘gays’ há mais sexo entre funcionários.
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