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Tráfico das favelas na Margem Sul

Vítimas e testemunhas do ataque na discoteca Coyote apontam ‘Amigos dos Amigos’.

01 de março de 2010 às 00:30

A operação ‘Nemesis’, lançada há duas semanas pela Unidade Especial de Combate ao Crime Violento do DIAP de Lisboa, conseguiu desmantelar a cúpula do gang de Sandro ‘Bala’, lutador e instrutor brasileiro de jiu-jitsu que, a partir da Costa de Caparica, governava, pelo terror, a noite da Margem Sul do Tejo (ver caixa). Mas está longe de pôr fim ao crime organizado na zona – prova disso é a investigação da Judiciária de Setúbal ao tiroteio, ocorrido a 20 de Fevereiro, na discoteca ‘Coyote’. Por detrás do ataque estará uma célula dos ‘Amigos dos Amigos’ (ADA) em Portugal, um gang brasileiro sediado no Rio de Janeiro, e que luta pela supremacia do tráfico de droga nas principais favelas da cidade.

Um brasileiro, 30 anos, residente na Amora, Seixal, e que aguarda julgamento em prisão preventiva no Hospital-Prisão de Caxias, é para já o único detido desta investigação. Ao que o CM apurou, tanto as seis vítimas feridas pelos disparos de caçadeira, como testemunhas do ataque em que o detido participou, convergiram nos depoimentos dados à PSP e GNR nas horas que se seguiram ao ataque – atiradores são membros dos ADA.

Apesar de residir no concelho do Seixal, o detido é conhecido em Setúbal, sendo originário da zona do Rio de Janeiro. Auto-intitulado operacional dos ADA, chegou a Portugal há pouco tempo, juntando-se a outros compatriotas com a mesma proveniência. A chegada a Portugal de brasileiros da zona do Rio de Janeiro terá ajudado a formar nos últimos anos uma célula dos ADA nos concelhos do Seixal e Almada.

Ao que o CM apurou, não existe qualquer ligação entre este grupo e a associação criminosa chefiada pelo lutador de jiu-jitsu Sandro ‘Bala’, que até há pouco tempo lutava pela supremacia no controlo do tráfico e segurança em bares e discotecas da Margem Sul. Os operacionais do ADA em Portugal estão, ‘apenas’, a dedicar-se ao tráfico de droga, e foi para ajustar contas sobre esta actividade que se terão deslocado a Setúbal na madrugada de 20 de Fevereiro. Além do detido, o grupo responsável pelo tiroteio junto à discoteca ‘Coyote’ é formado por um português e outros dois brasileiros, todos ainda a monte.

NOITE DOMINADA PELO TERROR

Sandro Bala (na foto a segurar o troféu) é um brasileiro de 38 anos, que chegou a Portugal em 2001. Com antecedentes como lutador de alta competição no país de origem, Sandro depressa retomou a prática do jiu-jitsu. Fixando-se na zona da Costa de Caparica, abriu um ginásio com o irmão, Júlio Pudim (com ele na foto), e arranjou emprego como segurança. Segundo a investigação do DIAP de Lisboa, Sandro uniu-se a Carlos Pereira, dono da empresa de segurança ‘Olho Vivo’, e começaram a controlar, pelo terror, a noite da Margem Sul e de Lisboa, em bares e discotecas, onde impuseram pela força os seus serviços de segurança. Para tal, Sandro ‘Bala’ contou com mais de uma dezena de cúmplices, brasileiros e portugueses, além de polícias – há suspeitos na PSP e GNR. Sandro chegava a fazer entrar cadastrados em Portugal sob a capa de lutadores de jiu-jitsu. O DIAP acabou com o esquema, mas Sandro está a monte. Voltou ao Brasil.

PORMENORES

FORMADO NA ROCINHA

O gang ‘Amigos dos Amigos’ surgiu na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, nos anos 1990. Distingue-se por responder sempre a tiro às investidas da Polícia.

HOMICÍDIO TENTADO

Único responsável por tiroteio na discoteca ‘Coyote’ que já está detido é suspeito de seis crimes de homicídio tentado.

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