Relatos de horror de quem assistiu ao acidente com o autocarro que caiu a encosta.
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Rita Castro seguia atrás do autocarro desgovernado. Apercebeu-se que seguia a grande velocidade e que o condutor não conseguia travar. Ainda embateu contra um poste e tentou pará-lo nas casas.
José Guilherme, 55 anos, com mais de 30 de experiência de condução, queria evitar o desfecho trágico: que se saldou em 29 vítimas mortais.
"O que mais me impressionou foi o silêncio. Era ensurdecedor, um cenário de morte", conta a testemunha que diz que ninguém pedia ajuda, nem gritava.
"Os amigos que estavam noutro autocarro pareciam múmias. Foram minutos de choque", recorda. A este testemunho juntam-se outros que relatam o inferno. Corpos desfeitos no chão, murmúrios de quem estava vivo. "Foi um horror. Não sabíamos o que fazer", relata outro morador.
Testemunha faz relato emocionante sobre tragédia na Madeira: "Um silêncio ensurdecedor"
"As pessoas voaram ao nosso redor. Nós tínhamos cinto, os outros, provavelmente, não", refere um casal de sobreviventes citado pelo jornal alemão ‘Bild’.
Por explicar estão os motivos do acidente trágico. A hipótese que a maioria admite é uma falha mecânica, que o acelerador de alguma forma tenha ficado preso. Porque as marcas de travagem são visíveis, ainda que não tenha sido possível ao condutor parar a marcha.
Ao final do dia, o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros esteve no local para depositar uma coroa de flores em homenagem. Na ocasião, o seu homólogo português, Augusto Santos Silva, recusou responder aos jornalistas sobre a falta de segurança da via.
Não tem qualquer proteção, ainda que seja numa curva acentuada e íngreme. Os moradores já tinham alertado.
Perícias para perceber tragédiaO autocarro, que só foi retirado do local do acidente de madrugada, vai ser alvo de perícias para que se perceba se houve origem mecânica no acidente.
O MP abriu um inquérito para apurar as causas do acidente. Sujeito ao teste de álcool, o condutor nada acusou.
Guia turística já está a recuperar no Hospital do FunchalCarlota Mendes Gomes, guia turística, foi uma das sobreviventes do acidente. A madeirense está a recuperar no Hospital do Funchal e ontem o irmão publicava no Facebook um texto a agradecer pela força que lhes estava a ser dada.
Só 15% dos passageiros usam cinto de segurança, que é obrigatório desde 2005"O cinto de segurança é obrigatório desde 2005, mas a taxa de utilização é muito baixa – só 15% dos passageiros o usa". São palavras de José Miguel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, subscritas por Luís Cabaço Martins, presidente da Antrop - Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros.
"O cinto é obrigatório por lei e protege muito nestas situações. O cinto agarra as pessoas ao banco. A obrigação do motorista e das empresas é avisar ou colocar avisos. Os passageiros têm de saber que é obrigatório."
PORMENORES
Três dias de luto
O Governo decretou três dias de luto nacional – o dia de ontem, o de hoje e amanhã – em memória das vítimas do acidente.
Marcelo no local
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, desloca-se hoje ao Funchal. Ontem, falou por telefone com o seu homólogo alemão, Frank- -Walter Steinmeier, a quem mostrou pesar.
Merkel agradece socorro
A chanceler alemã, Angela Merkel, manifestou ontem tristeza e choque pelo acidente e agradeceu o trabalho das equipas de socorro portuguesas.
Dois dias para autópsias
Só hoje deverão terminar as 29 autópsias e a confirmação da identificação das vítimas. Só depois poderá proceder-se à transladação dos corpos.
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