Declarou que estava a viver em Londres e viajou de jato privado para evitar controlo.
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Vale e Azevedo partiu para Londres a 14 de junho num jato privado e garantiu à Justiça portuguesa que não voltava mais. A advogada até escreveu ao Tribunal Central Criminal de Lisboa a informar desta situação, garantindo até que o ex-presidente do Benfica estava recenseado na capital inglesa. Mas ainda há poucos dias regressou a Lisboa, onde foi visto a passear na zona do Chiado. Apesar de ter mais 10 anos de prisão para cumprir, continua tranquilamente à solta.
De acordo com testemunhas, na sexta-feira, dia 21 de setembro, João Vale e Azevedo foi visto a entrar nos escritórios da sociedade de advocacia Sérvulo & Associados, uma das mais prestigiadas empresas da área em Portugal, por volta das 15h00. Desconhecem-se quais os motivos desta visita.
O CM questionou esta terça-feira a empresa sobre este encontro, mas o mesmo foi negado. "Não temos qualquer registo da presença do senhor Vale e Azevedo nas nossas instalações", garantiu fonte oficial da Sérvulo & Associados, recordando que foi esta empresa a primeira a apresentar uma queixa formal contra o, na altura, presidente do Benfica. Estávamos em 2001 e em causa estava o processo Euroárea - no qual foi julgado e condenado por falsificar documentos que lhe permitiram apropriar-se de cerca de cinco milhões de euros no negócio da venda de terrenos na zona sul do Estádio da Luz.
A presença de Vale e Azevedo em Lisboa ocorre numa altura em que poderá ser detido para cumprir uma pena de 10 anos de cadeia por burlas ao Benfica nas vendas dos jogadores Scott Minto, Gary Charles, Tahar e Amaral. Tal como o CM noticiou ontem, o advogado e a mulher usaram um jato privado para rumar a Londres a meio de junho, poucos dias antes de serem emitidos os mandados de detenção.
Voos privados sem qualquer controlo no Espaço Schengen
Qualquer pessoa pode levantar voo e aterrar em qualquer aeroporto do Espaço Schengen sem ser alvo de qualquer controlo policial. Não é este o caso de Vale e Azevedo, que embarcou num jato privado em Tires, a 14 de junho, rumo a Londres. Pelas regras terá sido alvo de controlo por parte do SEF, uma vez que o Reino Unido mantém o controlo de fronteiras, mas, mesmo assim, só com um mandado judicial ou uma ordem de restrição de saída ficaria retido em Portugal.
Uma pena cumprida e dois processos ainda em tribunal
Vale e Azevedo foi libertado em 2016, após cumprir cinco sextos da pena de onze anos e meio a que foi condenado devido a burlas nos casos Ovchinnikov, Euroárea, Dantas da Cunha e Ribafria. Mas ainda tem dez anos de cadeia por cumprir (burlas ao Benfica na venda de jogadores) e vai ser julgado noutros dois caos: o desvio de 1,2 milhões de direitos televisivos e a falsificação de garantias da PMRE.
PORMENORES
'Agricultor' insolvente
Apesar de viajar em jatos privados e de ficar alojado em hotéis de luxo, Vale e Azevedo declarou à Justiça que está insolvente, não tem património e sobrevive, com a mulher, apenas com 441 euros por mês e os legumes que cultiva na quinta de Sintra.
Dívidas de 26 milhões
Devido às várias burlas que cometeu, há credores que tentam reaver o dinheiro perdido para o ex-presidente do Benfica. No total são cerca de 26 milhões de euros que Vale e Azevedo não paga por se ter declarado insolvente. Há ainda registo de mais burlas em Inglaterra.
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