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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Videojogo foi 'gatilho' para disparo acidental em Matosinhos

Tatuador atingiu a tiro um amigo, de 18 anos, durante conversa sobre o jogo 'GTA'. Crime ocorreu em casa.

23 de janeiro de 2020 às 01:30

Bruno Silva, de 29 anos, disse ao coletivo de juízes do Tribunal de Matosinhos que disparou acidentalmente contra um amigo, de 18, após uma conversa sobre o videojogo ‘GTA’ - que permite aos jogadores ‘cometerem’ crimes violentos como homicídios. O arguido, que trabalha como tatuador, pegou na arma quando estava em casa, em Perafita, com dois amigos. Um deles disse que o revólver era igual ao do jogo. Bruno concordou e começou a manusear a arma, que a certa altura disparou.

"Um dos meus amigos disse ‘Essa arma é igual à do GTA. É mesmo à rei’. Então eu, com a mão esquerda, fiz pressão no gatilho cinco ou seis vezes. Eu achava que não havia balas no tambor. Olhei sempre para a arma, que estava na direção da vítima, até que houve um estouro. Olhei e vi um buraco no abdómen dele. Para mim, ele é um filho. Até tenho o nome dele tatuado no corpo", disse Bruno, que está em prisão domiciliária.

O caso ocorreu a 3 de maio de 2019. Em audiência, o arguido disse que o revólver foi-lhe dado como forma de pagamento de uma tatuagem que fez. "Antes tinha dito que era do meu avô e que estava enterrado num campo de couves, mas menti. A arma atirei-a depois da ponte da Arrábida", contou.

A vítima também foi ouvida. "Ele premiu o gatilho e disse ‘E agora, se levasses um tiro, como é que era?’. Fiquei com medo de morrer", contou em tribunal.

O arguido responde por ofensa à integridade física grave por negligência consciente.n

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