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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

“Vou viver para uma barraca”

"Faltam-me 500 euros para pagar a carta e nem dinheiro tenho para a renda da casa. Vou viver para uma barraca”, afirma Cristina Araújo, a mulher que anteontem foi detida pela 40ª vez por condução sem carta e ontem regressou ao Tribunal de Coimbra para responder em mais um processo. Mas o julgamento foi adiado para quinta-feira por faltar o certificado de registo criminal.

08 de novembro de 2009 às 00:30

Enquanto aguardava a decisão do juiz, Cristina Araújo tentava, sem êxito, fazer contas ao dinheiro que já gastou em escolas de condução. “De certeza que já dava para pagar três cartas”, lembrando que a primeira tentativa que fez “ainda foi no tempo dos escudos” e custou-lhe então “90 contos”.  

A ex-vendedora ambulante já se submeteu nove vezes a exame de código e reprovou sempre.  Actualmente desempregada diz não ter dinheiro para continuar a insistir. Até a própria casa onde morava vai ter que deixar.

Assegura que hoje vai entregar a chave à senhoria e vai transferir-se para uma barraca, sem água e sem luz, num terreno que era dos pais, na zona de Vila Verde, Coimbra. “Construí uma parede com chapas por cima e o chão é forrado a brita”, descreve, ao adiantar que para “alegrar o ambiente” tem “cobertores e lençóis às flores”.

Cristina Araújo, de 48 anos, foi detida sexta-feira pela GNR de Ançã, mas garante que não estava a conduzir quando foi abordada pelos militares. Segundo o auto elaborado pela GNR, a arguida foi vista pelos militares a sair do carro que acabava de parar numa rua na aldeia de Vila Verde.

EX-FEIRANTE FOI CONDENADA DUAS VEZES ESTE ANO

Cristina Araújo foi anteontem detida pela 40ª vez, três dias depois de ter sido condenada pelo Tribunal de Coimbra a um ano de prisão efectiva. Esta foi a segunda condenação que sofreu este ano pelo crime de condução sem habilitação legal.

No primeiro processo foi-lhe aplicada também uma pena de um ano de cadeia, mas o advogado da condutora, Filipe Figueiredo, recorreu da decisão. Já anteriormente tinha cumprido três anos de cadeia resultante dos vários processos que acumulou pelo mesmo tipo de crime. Mas ao longo das últimas duas décadas teve também condenações por furto, emissão de cheques sem provisão, falsificação de documentos, desobediência e atentado à integridade física.

Na leitura da última sentença, na terça-feira passada, o juiz considerou que as condenações anteriores "não foram suficientemente ressocializadoras".

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