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Cria empresa 'limpa' para ir a concurso de distribuição de jornais

Principal acionista da FEPI-Distribuição constituiu a Pergaminhoflash, de que é acionista único, em meados de junho, duas semanas após o Governo ter lançado o concurso público internacional.

01 de agosto de 2026 às 01:30

O principal acionista da FEPI - Distribuição, José Manuel Rogeira de Jesus (através da Inquieta Conquis- ta), criou uma nova empresa, a Pergaminhoflash, da qual é acionista único, e foi com esta sociedade que concorreu ao concurso público internacional lançado pelo Governo para garantir a distribuição diária de jornais em papel em todo o território continental. A Pergaminhoflash, que tem sede em Rio de Mouro (Sintra), na mesma morada da FEPI, foi constituída a 17 de junho, de acordo com as publicações de atos societários consultadas pelo CM, cerca de duas semanas depois de o Executivo ter anunciado a abertura do referido concurso, decisivo para o futuro da distribuição de imprensa no nosso território.

Constituída há mês e meio e ainda sem atividade conhecida, esta empresa não tem, naturalmente, histórico de ações judiciais, dívidas (vencidas ou não) ou atrasos nos pagamentos - ao contrário da FEPI, de acordo com todos os registos consultados pelo CM, e até de outras empresas do universo do empresário de Seia. Recorde-se que Rogeira de Jesus é também detentor da Parsoc, sociedade que é dona de 51% da Verbos Imaculados, dona da Notícias Ilimitadas (jornais ‘JN’ e ‘O Jogo’ e rádio TSF). Uma vez que a FEPI detém 10% da Verbos Imaculados, o empresário controla 61% dos referidos meios de comunicação social.

De acordo com o ‘JN’, a proposta da Pergaminhoflash é que a sua operação de distribuição de jornais assente na infraestrutura do grupo empresarial liderado por Rogeira de Jesus, rentabilizando uma rede com dezenas de postos de venda no Interior do País, e uma frota própria de cerca de 150 veículos em circulação diária. À frente da gestão do projeto está Rui Marques dos Santos, que integrou, entre 2001 e 2024, os quadros da VASP (atualmente a única distribuidora de jornais e revistas, que também se candidatou ao concurso).

Em causa está um concurso a três anos, com um valor global de cerca de 3 milhões de euros, ou seja, 1 milhão por ano, para assegurar a entrega em 96 municípios de oito distritos do Interior (Beja, Bragança, Castelo Branco, Évora, Guarda, Portalegre, Viseu e Vila Real).

Contactos sempre sem resposta 

O CM voltou ontem a tentar obter declarações do acionista das empresas em causa. Fica- ram prometidas declarações para segunda-feira. Ao contrário do que a FEPI afirmou no seu Direito de Resposta publicado na sexta-feira, é falso que o CM e o autor da notícia publicada na 5.ª feira no CM não tenham tentado obter uma reação da FEPI. Foram feitas tentativas de contacto telefónico, sem sucesso, enviados emails para a empresa e foi até tentada intermediação através de outro acionista da sociedade que detém o ‘JN’, ‘O Jogo’ e a TSF.

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