Associação de empresas florestais estima dois anos para limpar zona mais afetada pela tempestade Kristin

Presidente da direção da ANEFA lamentou como a obrigação de limpar as zonas afetadas foi comunicada aos proprietários florestais.

09 de julho de 2026 às 20:03
Estradas danificadas e casas destruídas após a tempestade 'Kristin'. Risco para bombeiros Foto: Carlos Barroso
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O presidente da associação de empresas florestais considerou esta quinta-feira, no parlamento, que levará pelo menos dois anos para retirar a madeira e limpar a zona mais afetada pela tempestade Kristin, e que limpeza tem sido confundida com gestão florestal.

"Ninguém vai conseguir limpar nada na zona do Kristin enquanto a madeira não for tirada. Nós temos dois anos, pelo menos, de trabalho para tirar a madeira e só depois da madeira sair é que se pode limpar", afirmou Pedro Serra Ramos.

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O presidente da direção da ANEFA - Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente, que falava numa audição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aos Negócios dos Incêndios Rurais, lamentou como a obrigação de limpar as zonas afetadas foi comunicada aos proprietários florestais.

Para Serra Ramos, quando "se ameaçou os proprietários florestais da zona afetada pela tempestade" do final de janeiro que, "se não limpassem até ao final de junho seriam multados com valores muito mais altos do que nos anos anteriores", isso foi "uma falta de sensibilidade perante o que a população está a passar".

"É uma falta de sensibilidade muito grande e um desconhecimento total", considerou, notando que "essas pessoas já tinham problemas com casas, com empresas, com tudo".

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A ANEFA, que representa cerca de mil empresas da área florestal, "sempre teve uma posição muito crítica em relação aos fogos rurais", por ser associada à floresta e, assim, prejudicar o setor, quando "o fogo não é um problema da floresta, é um problema na floresta".

"Não são as árvores que se incendeiam, sem mais nem menos. É um problema na floresta quando o fogo entra na floresta e, sobretudo, se acontece como nos dias de hoje em que a floresta tem problemas de gestão e, tendo problemas de gestão, torna-se difícil de controlar a situação", apontou.

Por isso, desde 2017, "com o apoio da comunicação social, gerou-se o pânico" na governança e na sociedade civil, tomando-se decisões com as quais não concordam, como serem "proibidos de trabalhar durante o verão".

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"O ano passado fizemos um inquérito a uma amostragem de 197 empresas e, nos 17 dias em que fomos proibidos de trabalhar, perdemos cerca de 10 milhões de euros. E, portanto, as empresas não aguentam isto", frisou, num universo maioritariamente de "pequenas e microempresas".

A governança, advogou, "tem que dar cada vez mais atenção à gestão florestal", quando "a aposta tem sido sobretudo na questão das limpezas", que "não são gestão florestal" e "muitas das limpezas não têm necessidade de se fazer" pois "o conceito de uma floresta limpa varia".

Em termos de custos, um estudo de 2021 em 126 concelhos, dos 308 do país, estimou que para se fazer as limpezas anuais nas áreas obrigatórias teria de se "gastar qualquer coisa na ordem dos 423 milhões de euros".

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"Só para terem uma ideia, os 423 milhões de euros dariam para florestar qualquer coisa como 280 mil hectares. Nós, em Portugal, estamos a florestar cerca de 15 a 20 mil hectares por ano, o que é muito baixo para as necessidades que temos do ponto de vista florestal", afirmou Pedro Serra Ramos, acrescentando, por isso, que é dinheiro "de facto mal gasto".

Na resposta a questões de deputados do PSD, Chega e PS, avisou que o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) "não tem capacidade para fiscalizar" e "para atuar", uma vez que "deixaram de ir ao terreno".

Questionado sobre se conhecia situações de fogo posto associado a interesses económicos, Serra Ramos contou que, no passado, fez uma queixa à GNR, mas a força policial só podia atuar em flagrante delito e, perante a insistência para que concretizasse quem e onde fez a denúncia, esclareceu que se passou "há 34 anos".

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No entanto, alertou que quando se retiram "as pessoas que trabalham na floresta", está-se "a aumentar grandemente o risco dessas coisas acontecerem", acrescentando que "a estratégia nos últimos anos tem sido afastar as pessoas da floresta".

Em relação a quem ganha com mais área ardida, o dirigente da ANEFA vê "pouca gente a quem possa interessar", porque "sempre que arde uma área florestal num determinado concelho", este fica "mais pobre" e obriga as pessoas a deslocarem-se "para poderem trabalhar".

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