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Sapadores vão receber 8 milhões de euros em horas extra por limpeza em terrenos afetados pela Kristin

Secretário de Estado das Florestas rejeitou ainda críticas à competência do Governo na gestão desta crise na sequência das tempestades de inverno.

01 de julho de 2026 às 19:48

O Governo vai pagar oito milhões de euros em horas extraordinárias aos 350 sapadores florestais que trabalharam na retirada de madeira tombada nas zonas afetadas pela tempestade Kristin, anunciou esta quarta-feira o executivo no parlamento.

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, no decurso de uma interpelação ao Governo agendada pelo Livre, sobre a época de incêndios, tendo o governante destacado o "excelente trabalho" do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), que colocou os sapadores e os seus recursos à disposição para ajudar as populações.

Em resposta aos deputados sobre os apoios prestados aos proprietários dos terrenos afetados pelas tempestades, Rui Ladeira destacou os 40 milhões de euros disponibilizados para apoio a limpeza de terrenos até 1.500 euros por hectare, tendo o ICNF recebido 15 mil pedidos de apoio de particulares para esse fim na plataforma digital criada para o efeito.

Rui Ladeira admitiu que "é impossível retirar em tempo útil" toda a madeira caída nos 32 mil hectares de área atingida pela tempestade Kristin na região centro, pelo menos garantindo os objetivos de remover, valorizar a madeira junto da indústria transformadora e garantir um "pagamento conveniente" aos proprietários.

Questionado insistentemente pela Iniciativa Liberal sobre se o Governo deixou sem resposta ofertas de produtores florestais para retirar a madeira das áreas afetadas com a contrapartida de ficarem eles com o material florestado retirado, Rui Ladeira disse que foi dada prioridade aos proprietários, para que recorrendo aos apoios públicos disponíveis, como o fundo de 40 milhões de euros, pudessem eles proceder à limpeza, ficando com a madeira.

Junto dos produtores florestais foram mantidas reuniões e criadas linhas de crédito para atender "às suas expectativas e às suas necessidades", disse o governante, acrescentando que as empresas têm agora oportunidade de adquirir madeira em hastas públicas.

O secretário de Estado das Florestas rejeitou ainda críticas à competência do Governo na gestão desta crise na sequência das tempestades de inverno, afirmando que "em pouco tempo" foram desobstruídos 18 mil quilómetros de caminhos florestais, algo que "não há memória" no país, garantindo acessibilidades no terreno.

No discurso de encerramento, Rui Ladeira deu ainda conta que as cinco equipas de investigação de incêndios rurais do país já detiveram 122 pessoas este ano, "mais de cinco vezes do que o ano passado".

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