Fenprof acusa tutela de amadorismo no processo dos exames nacionais
Federação Nacional de Professores defende que o ministro da Educação não tem condições para continuar no cargo.
A Fenprof acusou esta quarta-feira o Ministério da Educação de amadorismo no processo de classificação dos exames nacionais e exigiu soluções rápidas, defendendo que o ministro da Educação não tem condições para continuar no cargo.
"O ministro, perante o que tem acontecido, (...) não tem condições para exercer a função de ministro da Educação", disse um dos secretários gerais da Federação Nacional de Professores, Francisco Gonçalves.
Em conferência de imprensa, no Porto, para marcar o lançamento de um abaixo-assinado contra as "graves deficiências verificadas no processo de classificação dos exames nacionais e suas consequências", a Fenprof criticou a decisão do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) de alterar o processo de classificação dos exames, passando-o a formato digital com sistemas informáticos que têm apresentado problemas desde o início.
"Não somos nós que dizemos. Especialistas na área dizem que foi um processo feito com amadorismo e sem um plano de contingência. E os resultados estão à vista. E atenção: vamos ter, de certeza, o pedido de reapreciação de milhares de provas. Falamos aqui no dilatar de prazos, a 17 de julho ou 20 de julho, o processo não estará concluído", acrescentou o também secretário-geral da Fenprof José Feliciano Costa.
Alertando para a possibilidade de haver pedidos de reapreciação de provas "numa dimensão como nunca aconteceu", José Feliciano Costa teme que "se o sistema não deu resposta até agora" e até existam provas "extraviadas", o problema continue e atrase todos os calendários.
O dirigente sindical deu o exemplo de professores que só conseguiram corrigir uma parte da composição de português porque no meio da resposta apareciam folhas de outras disciplinas.
Acrescentou que há processos extraviados e docentes que ainda não receberam os códigos necessários para as correções.
"Agora, o que está aqui em causa de facto é o comprometimento, como já aqui foi dito, de todos os prazos, do próprio acesso ao Ensino Superior e do início do próximo ano letivo", acrescentou, lembrando que as escolas, faculdades e famílias têm de fazer o planeamento.
Insistindo que Fernando Alexandre tem de assumir as responsabilidades políticas, a Fenprof alertou que a questão atual não está "só na pessoa, mas nas opções políticas".
"Tem de haver aí um recuo, tem de haver mudanças. O problema aqui não é a questão da mudança do ministro. O ministro pode sair, [mas] se as políticas continuarem, ficamos todos na mesma", disse José Feliciano Costa.
Quanto à questão da anulação dos exames nacionais, pedida já por milhares de pais, a Fenprof considerou que terá de ser o Ministério a tomar essa decisão que, a acontecer, seria um "remedeio", só devendo avançar se se verificar que o processo está de facto comprometido.
Disse que poderá haver outras soluções, nomeadamente baixar o peso das provas ou fazer uma nova prova em setembro, mas admitiu que "tudo isso são especulações".
"Qualquer que seja a solução, a solução não será boa nem má, será o remedeio menos mau", disse Francisco Gonçalves.
O secretário-geral disse que só se saberá qual o "remedeio mais ajustado ou o menos ajustado" quando se perceber a dimensão do problema.
No entanto, afirmou que o ministro da Educação "já disse uma coisa e o seu contrário. Já garantiu e já deixou de garantir".
Pela primeira vez este ano, as provas dos 11.º e 12.º anos, que continuam a ser realizadas em papel, estão a ser corrigidas em formato digital, um processo que implica que sejam digitalizadas e só depois distribuídas pelos professores para serem avaliadas.
No entanto, nas últimas semanas, professores classificadores relataram atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das folhas de resposta e problemas técnicos na plataforma de distribuição e classificação.
Na semana passada, o Governo anunciou o adiamento da divulgação dos resultados e da segunda fase dos exames nacionais devido aos problemas técnicos que, na segunda-feira, o ministro da Educação disse estarem resolvidos.
Na terça-feira, em entrevista à CNN Portugal, o ministro da Educação confirmou que a plataforma eletrónica em que é feita a correção dos exames nacionais do ensino secundário estaria indisponível esta quarta-feira, durante duas horas, entre as 00h00 e as 02h00.
Sobre a segunda fase dos exames nacionais, adiada para entre 21 e 24 de julho, Fernando Alexandre disse acreditar que "vai correr muito bem e será exemplar".
Mais de 5.700 pessoas já subscreveram uma petição em que pedem a anulação dos exames nacionais, sem prejuízo dos alunos, devido aos problemas no processo de correção, argumentando que as sucessivas falhas técnicas comprometem a validade das provas.
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