Ministro da Educação defende que Inteligência Artificial não pode ser ignorada

Governante apela à adaptação nas escolas para maximizar os benefícios e minimizar os riscos.

19 de janeiro de 2026 às 12:26
Ministro da Educação
Partilhar

O ministro da Educação defendeu esta segunda-feira no Sobral de Monte Agraço que o uso da Inteligência Artificial "é uma realidade que não pode ser ignorada", apelando à adaptação nas escolas para maximizar os benefícios e minimizar os riscos.

"É uma realidade que não pode ser ignorada e por isso o que temos de fazer é, com essa mudança tecnológica, termos a capacidade de, seja com a formação dos professores, seja na alteração dos métodos de ensino, seja na alteração dos próprios currículos aproveitarmos as oportunidades que essa mudança nos traz", disse Fernando Alexandre aos jornalistas.

Pub

Para o governante, "com as estratégias adequadas, esses riscos podem ser minimizados e os benefícios podem ser maximizados".

À margem de visitas às escolas de Sobral de Monte Agraço, no distrito de Lisboa, o ministro da Educação admitiu que se deve "tornar a Inteligência Artificial num instrumento complementar que permite aumentar as capacidades dos nossos alunos".

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) considerou que a Inteligência Artificial tem potencial para mudar, para melhor, a educação e, por isso, quer mais "ferramentas para fins educativos", apesar de admitir que há riscos, noticiou esta segunda-feira o Público.

Pub

De acordo com este jornal diário, a estudantes de cinco universidades norte-americanas foi pedido que apresentassem um pequeno ensaio de 20 minutos: um primeiro grupo tinha de o fazer sem qualquer tipo de ajuda; outro poderia recorrer ao apoio de um motor de busca; e um terceiro usaria uma ferramenta de inteligência artificial generativa (o ChatGPT).

Concluídos os trabalhos, os deste último grupo tiveram melhores classificações. Mas uma hora após terem terminado, apenas 12% dos alunos conseguiram citar de memória um excerto do texto que tinham apresentado. Foi-lhes pedido que fossem rigorosos na autocitação. A esmagadora maioria não foi capaz. Em contraste, 89% dos estudantes dos outros dois grupos conseguiram fazê-lo.

Um manifesto subscrito por dezenas de professores de universidades e politécnicos portugueses apela à proibição do uso da Inteligência Artificial nas universidades para evitar reduzir a curiosidade intelectual dos estudantes e inverter a trajetória de empobrecimento cognitivo.

Pub

O manifesto, citado pelo jornal de Notícias, explica que o uso da Inteligência Artificial retira "esforço, trabalho e dedicação" sob um "espesso manto de ignorância, facilitismo, desonestidade intelectual, copianço e rapidez", empobrecendo a capacidade de pensar.

Tendo em conta as formas de ensino centradas nos estudantes que têm vindo a ser adotadas, os docentes sentem-se incapazes de identificar com rigor práticas fraudulentas e pedem, por isso, a suspensão das ferramentas de Inteligência Artificial nos processos de ensino-aprendizagem.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar