Sociedade de Emergência Pré-hospitalar alerta para efeitos do fecho do heliporto de Matosinhos

Dirigente médico lembra que em causa está "um heliporto com décadas e com utilização".

25 de fevereiro de 2026 às 09:03
Hospital Pedro Hispano, Matosinhos Foto: Movenoticias
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O presidente da Sociedade Portuguesa de Emergência Pré-Hospitalar (SPEPH) alertou esta quarta-feira que o encerramento do heliporto do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, terá impactos, lamentando que existam várias estruturas sem condições para receber helicópteros".

Em declarações à agência Lusa, Carlos Silva lamentou o encerramento do heliporto da Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), lembrando que em causa está "um heliporto com décadas e com utilização".

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"Naturalmente que acarretará sempre impactos especialmente agora que temos até uma rede de helitransporte que é extremamente ativa e extremamente funcional. Mas neste país não temos estudos sobre o impacto dos meios de resposta dos serviços de emergência médica, estudos nos quais possamos basear uma análise. Dizer-lhe quais são os impactos reais é um bocado difícil", disse Carlos Silva.

O heliporto do Hospital Pedro Hispano, da ULSM, teve de ser encerrado porque os canais de descolagem, levantamento e aterragem existentes possuem obstáculos que colocam em risco a operação.

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Num documento ao qual a agência Lusa teve acesso na terça-feira, assinado pela diretora do serviço de gestão de risco da ULSM, é explicado que esta decisão decorre de visitas e reuniões técnicas nas quais participaram a ULSM e a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), tendo ficado concluído que "a localização do heliporto, atualmente não é a melhor, dada a sua envolvente".

"Os canais de aproximação [descolagem/levantamento e aterragem] existentes, com as regras atuais, possuem vários obstáculos, o que coloca em risco a segurança da operação. Não há possibilidade de se alterar o sentido/orientação dos canais de aproximação", lê-se no relatório, sendo sugerido que "o heliporto atual, que é de superfície, passasse a heliporto elevado, com uma altura aproximada de 10 metros".

A ULSM possui um heliporto localizado no Hospital Pedro Hispano (HPH), o qual é utilizado, essencialmente, para receber helitransportes com doentes para os hospitais das ULS São João e ULS Santo António, ambos no Porto.

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À Lusa, o presidente da SPEPH apelou a que sejam tomadas as medidas necessárias para que este e outros heliportos tenham as condições de segurança necessárias.

"Quando há um meio em que falha, há impacto. Mas se este não tem condições, quem de direito, é obrigado a criá-las. Mas não é só no Hospital Pedro Hispano, há outros hospitais que têm heliportos e os helicópteros não pousam porque não têm condições. Se estes heliportos não terem condições, essas condições têm de ser criadas", frisou Carlos Silva.

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Para o presidente da SPEPH "não faz qualquer sentido transportar um doente de um acidente de aviação para o aeroporto Francisco Sá Carneiro [Porto] e transportá-lo depois de ambulância para a unidade hospitalar quando esta tem heliporto", exemplificou.

"Exige-se que sim, se têm infraestruturas com falta de condições de segurança, criem as condições de segurança e operacionalizem o heliporto novamente", concluiu.

Na terça-feira, questionada pela Lusa sobre esta matéria, a administração da ULSM admitiu que a ANAC recomendou o cancelamento da atividade do heliporto do Hospital Pedro Hispano, pelo que esta foi "suspensa, temporariamente" enquanto a autoridade analisa o processo de autorização de acordo com a legislação em vigor.

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As várias entidades envolvidas - INEM, Serviço de Proteção Civil de Matosinhos, Bombeiros de Leixões, além da própria ANAC - foram devidamente informados desta decisão pela ULS Matosinhos", lê-se na resposta enviada à Lusa.

De acordo com a ULSM, em 2025, o heliporto do Hospital Pedro Hispano recebeu cerca de 90 voos, sendo que a maioria dos doentes helitransportados tem como destino os hospitais da Área Metropolitana do Porto.

A agência Lusa solicitou esclarecimentos junto da ANAC e do INEM e aguarda resposta.

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