Canais de descolagem, levantamento e aterragem existentes possuem obstáculos que colocam em risco a operação.
O heliporto do Hospital Pedro Hispano, da Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), tem de ser encerrado porque os canais de descolagem, levantamento e aterragem existentes possuem obstáculos que colocam em risco a operação.
Num documento ao qual a agência Lusa teve esta terça-feira, assinado pela diretora do serviço de gestão de risco da ULSM, esta decisão decorre de visitas e reuniões técnicas nas quais participaram a ULSM e a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), tendo ficado concluído que "a localização do heliporto, atualmente não é a melhor, dada a sua envolvente".
"Os canais de aproximação [descolagem/levantamento e aterragem] existentes, com as regras atuais, possuem vários obstáculos, o que coloca em risco a segurança da operação. Não há possibilidade de se alterar o sentido/orientação dos canais de aproximação", lê-se no relatório que deixa uma sugestão.
"O ideal é que o heliporto atual, que é de superfície, passasse a heliporto elevado, com uma altura aproximada de 10 metros", é sugerido.
A ULSM possui um heliporto localizado no Hospital Pedro Hispano (HPH), o qual é utilizado, essencialmente, para receber helitransportes com doentes para os hospitais das ULS São João e ULS Santo António, ambos no Porto.
Segundo o documento que diretora do serviço de gestão de risco da ULSM dirige ao conselho de administração, aquando da construção do heliporto do Hospital Pedro Hispano, os ângulos dos canais de aproximação em vigor tinham o valor de 8%, mas na presente data, e, de acordo com as normas internacionais, principalmente a ICAO (Organização da Aviação Civil Internacional), o valor dos referidos ângulos foi alterado para 4,5%.
Obrigada a solicitar uma nova autorização de funcionamento do seu heliporto e tendo de realizar novo levantamento topográfico dos canais de aproximação veio a verificar-se que "existem vários obstáculos nos 2 canais, como árvores demasiado elevadas, localizadas em propriedade privada e linhas de alta tensão, propriedade da empresa E-Redes".
O processo suscitou já duas reuniões com a ANAC e a empresa que está a realizar o levantamento topográfico e o local foi visitado a 11 de fevereiro por inspetores da autoridade nacional.
"Considerando que a responsabilidade da utilização do heliporto do HPH é da ULSM, e sendo residual o número de doentes que são helitransportados diretamente para a ULSM-HPH, propõem-se o encerramento do heliporto, até que a ANAC se pronuncie sobre as condições de segurança do mesmo", conclui a diretora do serviço de gestão de risco da ULSM, pedindo que sejam avisadas entidades interna e externas, nomeadamente o INEM, o CODU e os Bombeiros Voluntários de Leixões.
Questionada sobre esta matéria, a administração da ULSM admitiu que a ANAC recomendou o cancelamento da atividade do heliporto do Hospital Pedro Hispano, pelo que esta foi "suspensa, temporariamente" enquanto a autoridade analisa o processo de autorização de acordo com a legislação em vigor.
As várias entidades envolvidas - INEM, Serviço de Proteção Civil de Matosinhos, Bombeiros de Leixões, além da própria ANAC - foram devidamente informados desta decisão pela ULS Matosinhos", lê-se na resposta enviada à Lusa.
De acordo com a ULSM, em 2025, o heliporto do Hospital Pedro Hispano recebeu cerca de 90 voos, sendo que a maioria dos doentes helitransportados tem como destino os hospitais da Área Metropolitana do Porto.
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