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Anticiclone mais a sul dos Açores explica comboio de tempestades em Portugal

Localização do centro de altas pressões condiciona o estado do tempo na Europa. Melhorias só a partir de dia 16.

07 de fevereiro de 2026 às 01:30

O anticiclone dos Açores (grande centro de altas pressões atmosféricas, que costuma estar perto dos Açores) tem estado mais a sul, o que criou um ‘corredor’ para as depressões que se geram no Atlântico Norte virem para leste, nomeadamente para Portugal. Esta é a explicação para o recente comboio de tempestades que tem afetado o País nas últimas duas semanas. O anticiclone dos Açores influencia o tempo e clima do Norte de África, Europa e Américas, bloqueando tempestades e desviando furacões do Sul da Europa. Quando está bem posicionado, traz tempo seco e quente, mas quando está mais para sul, como atualmente, perde o seu papel de ‘protetor’, permitindo a entrada das depressões oriundas do Norte, como foram a ‘Ingrid’, ‘Joseph’, ‘Kristin’, ‘Leonardo’ ou a atual, ‘Marta’.

Esta depressão (região de baixa pressão atmosférica em torno da qual o vento sopra no sentido contrário do relógio, no hemisfério norte, onde se situa Portugal) traz muita chuva e vento para o dia de hoje, nomeadamente nas regiões Centro e Sul. As rajadas de vento podem chegar aos 120 km/h nas terras altas, estando prevista queda de neve acima dos 800 metros, segundo as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Amanhã, a chuva deve abrandar, mas depois mantém-se o tempo de inverno, com chuva e neve. A chuva vai continuar até ao domingo de Carnaval. As previsões para o resto do mês indicam que a partir de dia 16 o tempo deverá melhorar no Alentejo e no Algarve, com menos precipitação que o normal para a época. No Centro e no Norte, deverá continuar a chover. As temperaturas deverão subir.

Com a chuva dos últimos dias, aliada às descargas das barragens em Espanha e nos maiores rios portugueses, vários concelhos sofreram, esta sexta-feira, inundações. Ao meio-dia, 93 mil clientes não tinham energia elétrica, sendo que nas zonas mais críticas, segundo a E-Redes, as avarias devido à depressão ‘Kristin’ afetavam 74 mil clientes, a maior parte (49 mil) no distrito de Leiria. Segundo a Proteção Civil, entre domingo e as 12h00 desta sexta-feira foram registadas 7517 ocorrências relacionadas com as tempestades, com 26 504 operacionais envolvidos e 10 505 meios.

Esta sexta-feira, o IPMA explicou que dezembro e janeiro foram meses muito chuvosos. Desde o início do ano que as barragens nacionais têm feito descargas preventivas para encaixar a água da chuva. Foram descarregados mais de 700 hectómetros cúbicos em janeiro, o equivalente ao consumo dos portugueses durante um ano. “Temos as albufeiras quase cheias, os caudais dos rios muito elevados”, o que torna “a gestão mais difícil”, alertou, esta terça-feira, Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente. Os locais onde mais choveu na quinta-feira foram Vila Nova de Paiva (96,1 mm em 24 horas), Montalegre (79,4 mm) e Mangualde (78,5 mm).

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