Depois da depressão Ingrid, Portugal continental começou esta segunda-feira a sentir os efeitos da depressão Joseph, com chuva, neve, vento e agitação marítima no Minho e Douro Litoral.
Vários comerciantes da zona ribeirinha do Porto começaram esta segunda-feira a resguardar os seus produtos e a preparar os estabelecimentos para uma eventual subida da água do rio Douro, após um alerta da Proteção Civil Municipal.
Em Miragaia, pelas 15h15, ainda ninguém tinha sido formalmente alertado, mas a notícia a anunciar o risco de cheias já deixara Clarice Santos vigilante.
"Por precaução, já comecei a guardar algumas loiças, que é o que consigo fazer sozinha. Esperemos que nos avisem com tempo, porque preciso de chamar a câmara para virem com carrinhas tirar os eletrodomésticos", partilha com a Lusa a proprietária da Casa Mirarcos.
Não passa muito tempo até que estaciona um carro da Proteção Civil perto da Fonte da Colhe -- uma das mais antigas da cidade - e que traz a comerciante e uma cliente expectantes para a porta do restaurante de comida tradicional portuguesa.
Um aviso em papel com a listagem de algumas medidas preventivas, contactos de emergência e os "locais historicamente mais vulneráveis" é entregue às duas mulheres, a quem resta "esperar".
Num salão de cabeleireiro mais à frente, o aviso de alerta para o estuário do rio Douro "estragou" a folga a Lucília Santos.
"Nem devia estar aqui hoje, mas vim para tentar guardar algumas coisas em sítios mais altos. Os agentes disseram-me para ter cuidado, porque, se continuar a chover, há o risco de água entrar-me aqui dentro", diz, "nervosa", Lucília, enquanto recorda como as últimas cheias lhe estragam por completo a mobília do salão.
Quem também tem "muitas [histórias] destas para contar" é Manuel Santos, que há 18 anos instalou a seu café Flor da Alfândega naquela zona do Centro Histórico.
"A mim, quem me dá o primeiro alerta não é a Proteção Civil, mas sim os ratos. Quando vemos ratos a sair dos bueiros, já sabemos que a água anda por aí", conta, entre risos, à Lusa.
Ao início da tarde desta segunda-feira ainda não tinha visto, contudo, nenhum roedor perto do seu estabelecimento: "acho que as cheias ainda não são para hoje".
De acordo com o aviso distribuído, o Centro de Previsão e Prevenção de Cheias do Douro da Capitania do Porto do Douro promulgou na quarta-feira o aviso amarelo para todas as albufeiras do rio Douro, podendo verificar-se precipitação intensa e a possibilidade de alagamentos no estuário do Douro em locais como Postigo do Carvão, Ribeira, Miragaia, Cais do Ouro, Passeio Alegre e Rua das Sobreiras.
Na Ribeira, são poucos os turistas que resistem a tanta chuva e vento e quem olha para dentro dos estabelecimentos vê que há ainda quem esteja a ler o papel distribuído pela Proteção Civil.
É o caso da proprietária de uma loja de 'souvenirs' com porta virada para o rio que pede para não ser identificada e que partilha com a Lusa que é o Douro quem lhe dá o alerta.
"Nós aqui podemos ir olhando para o rio, que para já está calmo. Se começar a subir, embalamos tudo e levamos para o andar de cima", esclarece.
A Proteção Civil Municipal do Porto recomenda à população a adoção de medidas de prevenção e proteção, nomeadamente o acompanhamento dos períodos de enchente até à preia-mar, sobretudo quando associados a caudais elevados da Barragem de Crestuma, a salvaguarda de alimentos, bens de valor, documentos e objetos pessoais importantes, acondicionando-os em locais elevados e protegidos e a preparação para o eventual corte de água, gás e eletricidade, sempre que se justifique.
Também é recomendado o cumprimento dos perímetros de segurança que, eventualmente, venham a ser implementados, a não travessia de zonas inundadas, prevenindo o arrastamento de pessoas ou viaturas, bem como a não permanência ou estacionamento de viaturas em locais historicamente vulneráveis a cheias.
Já nos cais, é recomendada a recolha de plataformas flutuantes, quando aplicável.
Depois da depressão Ingrid, nos últimos dias, Portugal continental começou esta segunda-feira a sentir os efeitos da depressão Joseph, com chuva, neve, vento e agitação marítima no Minho e Douro Litoral, informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os efeitos da depressão Joseph irão estender-se, de forma gradual, às restantes regiões de Portugal continental na noite de segunda para terça-feira, "e com a passagem de sucessivas ondulações frontais pelo menos até ao fim de semana", segundo o IPMA.
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