Países reúnem-se na sexta-feira na 36.ª cimeira ibérica após meses marcados por grandes incêndios e tempestades.
Portugal e Espanha reúnem-se na sexta-feira na 36.ª cimeira ibérica, em que pretendem selar uma "aliança pela segurança climática", após meses marcados por grandes incêndios e tempestades na Península Ibérica, disseram fontes dos dois governos.
A cimeira ibérica deste ano, na cidade espanhola de Huelva, é apresentada pelo executivo português "como um momento estratégico para impulsionar, ao mais alto nível, a ação de Portugal e Espanha para reforçar a adaptação às alterações climáticas e, simultaneamente, a competitividade e a sustentabilidade das duas economias".
O Governo espanhol, por seu turno, realça "a importância" desta cimeira, pelo "tema muito relevante" que vai estar em foco, "os impactos das alterações climáticas", que são "uma realidade científica, geográfica e partilhada" por Portugal e Espanha.
Os dois países, lembraram fontes do executivo espanhol, acumularam no ano passado metade dos hectares queimados em incêndios na União Europeia e têm sido também atingidos por temporais que provocaram centenas de mortos e milhões e euros de prejuízos.
Em Espanha, em outubro de 2024, morreram 230 pessoas em cheias em Valência, e já este ano, 18 morreram em Portugal e milhares foram desalojadas nos dois países por causa de tempestades sucessivas e inundações.
Em setembro do ano passado, após os incêndios do verão, o primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, revelou a intenção de promover "um pacto de Estado face à emergência climática" e de propor um trabalho conjunto para esse objetivo a Portugal e França.
"Os incêndios que sofremos este ano também os sofreu Portugal e, portanto, vamos propor ao Governo português e ao Governo francês que possamos trabalhar conjuntamente nesse pacto de Estado face à emergência climática", afirmou Sánchez.
Segundo o Governo espanhol, anfitrião da cimeira ibérica deste ano, Portugal e Espanha vão assinar na sexta-feira em Huelva uma dezena de instrumentos de cooperação, entre os quais acordos no âmbito da proteção civil e a gestão de emergências para reforçar e aprofundar aqueles que já existem entre os dois países nestas áreas e no quadro do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.
Por outro lado, a par da declaração final conjunta dos dois Governos que habitualmente sai das cimeiras luso-espanholas, haverá este ano uma declaração conjunta dos dois ministérios do ambiente dedicada à "luta contra as alterações climáticas" e que, segundo o executivo de Espanha, se pretende que seja "o elemento estrela" deste encontro.
O Governo espanhol realça ainda "o fio condutor" que une esta cimeira ibérica à anterior, em outubro de 2024, em Faro, dedicada à água e em que Portugal e Espanha assinaram vários acordos relativos aos rios comuns.
Apesar de o foco da cimeira estar nas alterações climáticas, o Governo espanhol admite que a situação geopolítica internacional "marcará de alguma maneira" o encontro bilateral entre os dois primeiros-ministros, o português e conservador Luís Montenegro e o espanhol e socialista Pedro Sánchez, "dois líderes europeus" que voltarão a encontrar-se em 19 e 20 de março no Conselho Europeu.
Montenegro e Sánchez vão encontrar-se em Huelva num momento marcado, a nível internacional, pela guerra no Médio Oriente, iniciada com ataques dos EUA e de Israel ao Irão que Espanha condenou, tendo recusado a utilização de bases militares em território espanhol pelos norte-americanos para estas operações. Na resposta, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Espanha com represálias.
No debate quinzenal na Assembleia da República, na quarta-feira, Luís Montenegro foi, por várias vezes, questionado se se solidarizava com a posição de Espanha, após as ameaças norte-americanas.
Sem uma resposta direta, Montenegro disse não querer "comentar o posicionamento de outros Estados" neste conflito, depois já ter salientado que Portugal "é um país fundador da Nato" - aderiu em 1949 - enquanto Espanha "só aderiu em 1982".
"E esta circunstância pode não querer indiciar nada, mas eu creio que ela diz tudo sobre aquilo que é a perenidade, aquilo que é a dimensão e a profundidade da nossa aliança [com os Estados Unidos]. Porque a nossa defesa também passa por aquelas que são as nossas alianças, porque a nossa salvaguarda também depende dos nossos aliados", disse.
Desafiado a clarificar a posição do Governo português sobre o ataque ao Irão, Luís Montenegro afirmou que "Portugal não acompanhou, não subscreveu e não esteve envolvido nessa ação militar", mas salientou que o país está mais próximo do seu aliado norte-americano.
Pedro Sánchez, por seu turno, realçou na quinta-feira que Espanha é "membro de pleno direito" da União Europeia e da NATO.
Fontes do executivo espanhol realçaram no mesmo dia que tanto Montenegro como Sánchez, "independentemente da família política" de cada um, estão focados nas preocupações com os impactos das alterações climáticas nos respetivos países.
As mesmas fontes sublinharam ainda que Portugal e Espanha têm uma relação "muito capilar" e de trabalho contínuo e de cooperação entre as duas administrações, algo que a cimeira de sexta-feira voltará a evidenciar.
A 36.ª cimeira ibérica reunirá em Huelva, além dos dois primeiros-ministros, sete ministros de Portugal e 11 de Espanha.
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