Iniciativas decorrem por todo o País para ajudar as vítimas do mau tempo.
A sociedade civil tem demonstrado como Portugal pode ser solidário quando os vizinhos estão necessitados de ajuda, havendo várias recolhas de fundos a decorrer para colmatar os estragos deixados pela passagem da depressão Kristin há sete dias pelo território.
De norte a sul do país são vários os concelhos que estão empenhados em enviar ajuda para os mais afetados, sobretudo na região centro, tendo a Associação Nacional de Municípios Portugueses disponibilizado um email (recuperar@anmp.pt) para que os municípios afetados comuniquem a ajuda necessária e os que podem ajudar informem quais os apoios disponíveis.
Na plataforma GoFundMe existem numerosas iniciativas de recolha de donativos para apoiar a região de Leiria a fazer face aos prejuízos, sendo que, na página com chave Emergências, os 12 primeiros pedidos de ajuda rodam já os 175 mil euros angariados.
A campanha da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Leiria para reconstruir o quartel é aquela que até ao momento recolheu mais donativos, com 57 235 euros da meta de 60 mil euros.
No meio desta catástrofe, o quartel da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Leiria ficou "estruturalmente comprometido", pode ler-se na descrição do pedido, lembrando que "os danos são profundos, os prejuízos avultados" e a capacidade operacional "ficou seriamente em risco".
Para os Bombeiros Voluntários a recuperação do quartel é primordial, considerando ser um "problema de segurança para a toda a população", uma vez que "sem um quartel funcional: os tempos de resposta aumentam, os meios disponíveis diminuem e a capacidade de socorro fica comprometida precisamente quando ela é mais necessária".
"Hoje, somos nós que precisamos de ajuda, para que, amanhã, possamos continuar a ser nós a ajudar", termina o apelo.
Também o quartel dos Bombeiros da Marinha Grande ficou com "marcas profundas", sobretudo no ginásio que ficou destruído, e na plataforma decorre igualmente um pedido de apoio: "Ajude-nos a levantar o que a tempestade levou".
Na madrugada de 28 de janeiro, a forte tempestade que atingiu o distrito de Leiria também destruiu por completo o telhado da casa do Carlos (bombeiro de profissão nos Voluntários de Alcobaça), da Patrícia (auxiliar de saúde no Hospital de Alcobaça) e do filho Duarte de 8 anos, em Vestiaria-Alcobaça.
"A chuva entrou pela casa dentro, danificou quartos, sala, deixou o lar onde viviam inabitável (...) Até aqui sempre conseguiram, sozinhos, fazer face às despesas do dia-a-dia, mas a dimensão destes estragos ultrapassa completamente as suas possibilidades. Para reconstruir esta casa, precisamos da vossa ajuda", lê-se no pedido de apoio desta família, uma de muitas que recorreu ao GoFundMe.
Também a família de Lea van der Eems, que vive com o marido e os dois filhos num iurte (uma tenda ou cabana circular) no centro de Portugal, é uma das que solicitou ajuda na plataforma. Tinha pedido 20 mil euros para "reconstruir o básico".
Esta terça-feira, Lea deixou uma mensagem na plataforma a agradecer "a todos pelo incrível apoio", tendo em conta que ultrapassou o valor pedido, frisando nunca imaginar que chegaria tão longe.
"Estivemos muito ocupados nos últimos dias reconstruindo tudo. Com a ajuda de amigos da região, conseguimos consertar a estrutura do iurte na sua maior parte, embora não esteja bonita, funciona. Cerca de 10 a 15 das vigas do telhado precisam ser substituídas, mas tínhamos o suficiente para montar novamente", explica.
Lea diz ainda que a família faz "questão de retribuir o que sobrar [da angariação] depois da reconstrução".
Tiago Piedade, de Monte Real, Leiria, pede ajuda para a família. Para a avó, que sofre de Alzheimer, para o pai e para o tio. Ficaram sem nada, sem casa e sem oficina para trabalhar. Tiago explica que o tio e a avó "conseguiram fugir a tempo, mas passaram a noite dentro do carro, no meio da tempestade, porque a estrada ficou bloqueada junto ao portão".
"Eles precisam de ajuda para reconstruir e recuperar o mínimo de estabilidade. Esta campanha é para que estas três pessoas possam recomeçar (...) Os fundos angariados destinam-se à compra das telhas para o telhado, o primeiro passo para tornar a casa novamente habitável", refere Tiago na descrição do pedido.
Também Aléxia Boieiro pede ajuda para angariar apoios para os pais que "perderam as poupanças e esforço de uma vida nesta tempestade", referindo que trabalharam "cerca de 15 anos no estrangeiro para conseguirem criar uma vida melhor", voltaram para Portugal e investiram tudo para começar um negócio".
O Sun7 Esplanada, em Vieira de Leiria ficou completamente destruído, refere Aléxia reconhecendo que a família não tem forma de o recuperar, explicando não haver seguros "para estruturas de madeira desde a tempestade Leslie há uns anos".
"Neste momento ficámos todos sem rendimento, incluído mais duas famílias... sei que é um momento bastante difícil para todos, várias famílias com muitos estragos, mas peço que, os que conseguirem, ajudem com o que puderem e partilhem ao máximo. Obrigada desde já a todos e muita força para todas as famílias afetadas", lê-se no apelo.
Tânia Cardoso pede, por seu turno, apoio para a família de Carla Amorim, assim como a amiga e vizinha Rayane, que é considerada família e que, devido ao mau tempo extremo também sentido na zona do Sobral de Monte Agraço, no distrito de Lisboa, "ambas as casas ficaram completamente destruídas (...) sem nada, casa, bens, móveis e pertences pessoais, apenas com a roupa do corpo".
"São famílias imigrantes que estão em Portugal há cerca de três anos, pessoas trabalhadoras, honestas, que nunca imaginaram passar por uma situação destas e que não mereciam perder tudo de um dia para o outro" refere Tânia Cardoso no pedido de ajuda, para conseguir o "apoio para o realojamento destas famílias".
Entre os pedidos surge também um outro por Cindy Vieira e o Agrupamento Escuteiros Olival, que lembram a destruição também sentida em Ourém e que as angariações serão fundamentais para ajudar na reparação de casas, de infraestruturas essenciais e no apoio direto às pessoas que estão mais desamparadas.
"Os prejuízos são enormes, muitas pessoas estão sem meios imediatos para reparar os estragos e o apoio disponível não chega para todos... Esta angariação de fundos é um apelo urgente à solidariedade (...) Ourém está a atravessar, uma vez mais, uma fase muito dura e a dimensão das perdas ultrapassa a capacidade de resposta individual", é descrito.
"Tudo o que resultar desta angariação será entregue à Câmara Municipal de Ourém", refere ainda o apelo.
Um traço comum a todos os pedidos é para que, quem não pode ajudar financeiramente, partilhe o apelo porque essa ação também será de grande ajuda.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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