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Correio da Manhã

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Hoje é o Dia da Memória das Vítimas da Inquisição

Inquisição operou em Portugal de 1546, no reinado de D. João III, até 31 de março de 1821, quando foi formalmente extinta, pelo parlamento.
31 de Março de 2019 às 07:00
O Dia da Memória das Vítimas da Inquisição é evocado este domingo, pela primeira vez, lembrando os perseguido dos 45.000 processos deste organismo político-religioso, em Portugal, afirmou o historiador Jorge Martins.

O Dia da Memória das Vítimas da Inquisição, a evocar anualmente, foi aprovado no ano passado, por unanimidade, pela Assembleia da República (AR), como "um resgate da memória das várias vítimas da Inquisição, desde os judeus a seguidores de outros credos, ou até maçónicos e homossexuais, entre outros cidadãos", disse o historiador.

A iniciativa partiu de um grupo de cidadãos que remeteu à AR uma petição para que fossem lembradas as vítimas dos 45.000 processos da Inquisição, e erigido um memorial em Lisboa, no Rossio, em frente ao Teatro Nacional D. Maria II, onde habitualmente se realizavam os autos de fé e onde era a sede daquela instituição político-religiosa.

"É necessário que Portugal dê um passo concreto na assunção do malefício que constituiu para os portugueses e os que viveram sob domínio português, nomeadamente, nas antigas colónias, o estabelecimento da Inquisição e sua perniciosa influência durante 285 anos", disse o historiador.

O memorial deve ser inaugurado dentro de dois anos, quando se celebrarem os 200 anos do fim da Inquisição e das primeiras constituintes de Portugal, ou seja, o primeiro parlamento, disse à agência Lusa fonte da organização.

"Fecha-se o ciclo de reconciliação do regime democrático português com a reparação dos erros do passado", acrescentou.

Hoje, pelas 10h30, no salão nobre do Teatro Nacional D. Maria II, a cerimónia evocativa conta com a participação da investigadora Marina Pignatelli, do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, de António Caria Mendes, que fará a leitura de mensagens de várias comunidades, nomeadamente judaicas, de Espanha e Estados Unidos, Jorge Martins, que apresentará a comunicação "O resgate da memória das vítimas da Inquisição", e ainda o ex-ministro da Justiça José Vera Jardim, atual presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, e a jornalista Miriam Assor.

A cerimónia conta ainda com os atores Cristina Basílio e Gonçalo Oliveira, que vão ler os nomes de vítimas da Inquisição, ao longo da sessão, vestidos com 'sambenitos', uma espécie de túnica que os sentenciados da Inquisição eram obrigados a vestir.

Para a cerimónia "foram convidadas várias entidades públicas, religiosas e até privadas, que representam de certa forma aqueles que foram perseguidos, torturados, e colocados na fogueira da Inquisição".

"Foram enviados convites às mais diversas entidades, dos luteranos aos muçulmanos, Governo, Câmara de Lisboa, a Associação ILGA Portugal, União de Mulheres Alternativa e Resposta, das diferentes orientações maçónicas, e claro está o parlamento, que representa todos os portugueses", disse o historiador, adiantando que "nem todos confirmaram a presença".

A Inquisição operou em Portugal de 1546, no reinado de D. João III, até 31 de março de 1821, quando foi formalmente extinta, pelo parlamento.
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