"A minha expectativa sempre é que a situação se resolva o mais rapidamente e que haja o menos de entropia no processo", disse António Lacerda Sales.
O secretário de Estado Adjunto e da Saúde disse esta quinta-feira esperar que a situação que levou os chefes de equipa de urgência de cirurgia do Hospital de Santa Maria a apresentarem demissão se resolva "o mais rapidamente possível".
"A minha expectativa sempre é que a situação se resolva o mais rapidamente e que haja o menos de entropia no processo", disse António Lacerda Sales à margem da cerimónia do 100.º aniversário da descoberta da Insulina, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, que conta com a participação do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales.
Os 10 chefes de equipa de urgência cirúrgica enviaram na quarta-feira uma carta ao diretor clínico do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), na qual apresentam a sua demissão em bloco a partir de 22 deste mês.
Na carta, a que a Lusa teve acesso, os cirurgiões adiantam que a urgência cirúrgica do CHULN "vem-se degradando nos últimos anos, agravada recentemente pela tomada de posição dos assistentes hospitalares do departamento que recusam ultrapassar, nas atuais condições de trabalho, mais do que as horas extraordinárias consideradas na lei".
Questionado sobre esta situação, António Lacerda Sales disse reconhecer o problema neste e noutros hospitais e que o Ministério da Saúde está a fazer "um esforço em resolver o problema juntamente com os conselhos de administração".
No caso do Hospital Santa Maria, adiantou, já há reuniões programadas para a semana com os diferentes chefes de equipa.
"Na grande maioria destes hospitais os problemas têm-se resolvido com diálogo (...)~. E é com diálogo que vamos continuar a trabalhar com os profissionais de saúde para irmos resolvendo estes casos", vincou.
Questionado sobre o Hospital de Setúbal que também teve, recentemente, pedidos de demissões em massa dos médicos, Lacerda Sales afirmou que a situação está "mais tranquila neste momento por via de diferentes situações", nomeadamente pela abertura do concurso para a obra que se vai construir neste hospital e pela contratação de mais recursos.
O governante referiu que estes problemas na saúde acabam por se resolver com "o diálogo entre os profissionais de saúde, que fazem sempre o seu melhor e têm sido excecionais na forma como têm trabalhado", e com quem implementa a organização que são os conselhos de administração, que têm "bons dirigentes".
Sobre os problemas de contratação de profissionais de Saúde, Lacerda Sales relembrou que há mais 30 mil profissionais desde 2015.
"Só no ano passado contratámos mais 13 mil profissionais", afirmou, salientando o esforço que está a ser feito a este nível.
Reconheceu que possa haver, por vezes, ao nível dos hospitais "algum desconforto nalgumas situações", principalmente em períodos como o inverno em que mais pessoas recorrem à urgência, uma situação que não é nova.
"Este é um período em que muita gente recorre às urgências e, portanto, temos que fazer um esforço maior naquilo que é a integração de cuidados, entre os cuidados primários e os cuidados diferenciados", declarou.
Ao Governo, sustentou, "cabe criar meios, cabe regular, e depois na base da pirâmide organizacional" cabe aos conselhos de administração implementar.
"Nós temos feito o nosso esforço, enquanto Governo, de criar o maior número de vagas possível", afirmou, adiantando que vai abrir agora um novo concurso para médicos especialistas.
Lacerda Sales lembrou a importância do Estatuto do Serviço Nacional de Saúde, afirmando que há "uma reflexão feita" sobre a valorização do trabalho dos profissionais, que é importante ao nível das carreiras, ao nível remuneratório e dos projetos nomeadamente os projetos de investigação.
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