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Governo mobiliza 275 Espaços de Cidadão e 12 carrinhas móveis para zonas afetadas

Portugal tem sido fustigado por um 'comboio de tempestades' nas últimas semanas.

05 de fevereiro de 2026 às 22:02

O Governo vai disponibilizar, a partir de sexta-feira, 275 Espaços de Cidadão e 12 carrinhas móveis nos concelhos afetados pelo mau tempo em Portugal continental para ajudar a população no acesso aos apoios, anunciou, esta quinta-feira o primeiro-ministro.

Numa declaração na residência oficial em São Bento, em Lisboa, após a reunião semanal do Conselho de Ministros e depois de se reunir com o Presidente da República, Luís Montenegro realçou que há "muitos portugueses" que têm dificuldades nesta altura, por várias razões, de aceder a estas plataformas 'online', "portanto têm de ter a adequada ajuda".

"Neste momento, já temos disponível uma plataforma para o acesso aos apoios aprovados no passado domingo. Toda a informação relevante está disponível no 'site' apoioscalamidade.gov.pt", indicou Luís Montenegro.

Para facilitar o acesso à plataforma 'online', até porque ainda há população sem energia elétrica e falhas de comunicações, o Governo vai mobilizar, a partir de sexta-feira, "275 Espaços de Cidadão e 12 carrinhas móveis" para os concelhos afetados, que estarão a trabalhar "conjuntamente com as autoridades locais, as juntas de freguesias, as câmaras municipais, as instituições sociais, voluntários que se têm juntado".

O objetivo, segundo o primeiro-ministro, é ajudar todas as pessoas que têm dificuldade de acesso à plataforma 'online' a poderem reportar a sua situação "de forma rápida e expedita", no sentido de usufruírem das ajudas "mais imediatas" do Governo, que já estão disponíveis.

Luís Montenegro realçou que o Governo aprovou no domingo um pacote global de apoio de cerca de 2,5 mil milhões de euros para ajudar as zonas afetadas pelo mau tempo em Portugal continental.

O governante disse que há medidas já disponíveis, como o apoio até 10.000 euros para reconstrução de casas de habitação própria e permanente afetadas pelo mau tempo, em que, no caso de prejuízos até aos 5.000 euros, o pedido pode ser instruído apenas com fotografias dos danos, dispensando vistoria ao local.

"O apoio financeiro de urgência a quem perdeu rendimento, que pode atingir 12.900 euros num ano, chegará às famílias o mais tardar até à próxima segunda-feira", revelou.

O primeiro-ministro destacou ainda as linhas de crédito para a reconstrução e a tesouraria das empresas, no montante de 1.500 milhões de euros, que já estão operacionais desde quinta-feira, registando-se já candidaturas de "cerca de 825 empresas para apoios que ascendem a mais de 204 milhões de euros".

Também os apoios aos agricultores já estão acessíveis, verificando-se, até ao momento, "cerca de 1.100 candidatos para mais de 84 milhões de euros de apoios canalizados", informou.

"Estes apoios estão a avançar com uma rapidez que não tem precedentes", considerou Luís Montenegro, destacando a "dimensão da tarefa", ressalvando que "todo o tempo que passa é sempre tempo importante" e assegurando que o Governo está a fazer tudo o que está ao seu alcance.

"Nunca o Estado respondeu com esta rapidez", defendeu, manifestando-se "ciente do drama" que muitas famílias, pessoas e empresas enfrentam neste momento: "Nós estamos mesmo a esgotar todas as nossas possibilidades para decidir rapidamente poder acorrer às suas necessidades."

Sobre o restabelecimento do fornecimento de energia elétrica, o primeiro-ministro assegurou também que tem sido feito tudo aquilo que era possível até ao momento, enaltecendo a recuperação de mais de um milhão de clientes sem energia para "cerca de 70 mil, que persistem ao longo de mais de 5.000 quilómetros de linhas afetadas, sobretudo nas zonas mais isoladas, zonas que têm difícil acesso e que tornam mais morosa esta tarefa de reposição".

"Estamos concentrados em levar este esforço a todos os limites para que as condições mínimas de dignidade e de bem-estar possam ser restabelecidas para todos os portugueses", reforçou, indicando que o mesmo acontece com a recuperação do abastecimento de água e a desobstrução de vias rodoviárias e ferroviárias atingidas pelo mau tempo.

Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro, abrangendo 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 de fevereiro para 68 concelhos, voltando esta quinta-feira a ser prolongada até 15 de fevereiro.

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