Presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal defende ainda que deve ser feita mais fiscalização.
O presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes considerou esta terça-feira que o acordo que prevê que as trotinetas passem a ter pontos de estacionamento e redução de velocidade "é um bom passo", mas deve ser acompanhado de fiscalização.
As trotinetas em Lisboa vão ter pontos de estacionamento próprios obrigatórios e um limite de velocidade de 20 quilómetros por hora, segundo um acordo que a Câmara Municipal e os cinco operadores na cidade assinaram na segunda-feira.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) considerou que é um bom passo, mas o primeiro de muitos que devem ser dados para que o uso das trotinetas seja feito de forma responsável por todos.
"Estamos a falar de trotinetas largadas em qualquer sítio, a circular arbitrariamente no passeio, a circular em grande velocidade e sem respeito por qualquer regra de trânsito. Nós por princípio achamos que o acordo é um bom passo e vemos com bons olhos as tentativas de regulação e regulamentação que estão a ser feitas não só no município de Lisboa, mas a nível nacional. Quase todas as grandes cidades vão tendo este fenómeno", disse.
Rodrigo Santos salientou, contudo, que são precisos mais passos, defendendo que o acordo seja mais abrangente.
"Esperamos que este acordo possa sinalizar o início de um caminho que não abranja apenas as trotinetas. Temos o exemplo do código da estrada que há muito tempo que regula e pune de forma pesada o estacionamento abusivo, em cima de passadeiras, em cima do passeio, mas todos sabemos que isso continua a acontecer", sublinhou.
Rodrigo Santos defendeu ainda que, além das boas normas, é preciso que haja uma boa fiscalização.
"Esperamos que, na senda deste acordo que agora foi alcançado, também haja uma boa e eficaz fiscalização do seu cumprimento, para que seja responsabilizado quem usa as trotinetas de forma inadequada e seja preservado o uso do espaço pedonal das pessoas que têm de se deslocar a pé", afirmou.
O presidente da ACAPO disse ainda estar expectante para ver como o acordo vai ser aplicado.
"Vamos ver se as pessoas vão encontrar formas de driblar o cumprimento do acordo. Tem de haver responsabilização, que o acordo seja cumprido por todos", concluiu.
O acordo assinado na segunda-feira entre a Câmara de Lisboa e os operadores estipula, ainda, um contingente máximo de veículos em circulação, que será de 1.500 por operador no inverno e que poderá ir até aos 1750 na primavera e no verão.
Os operadores têm 60 dias para se adaptarem, segundo o protocolo assinado pelo presidente da câmara, Carlos Moedas (PSD), e representantes dos cinco operadores.
Na assinatura do protocolo, Carlos Moedas salientou que o acordo dá solução aos três principais problemas detetados no uso destes veículos - estacionamento, número excessivo de trotinetas em Lisboa e velocidade excessiva -, enquanto se aguarda pela concretização de um regulamento municipal sobre trotinetas.
Segundo o autarca, a Câmara de Lisboa vai informar as operadoras de quais os 'hotspots' onde as trotinetas terão de ser estacionadas.
Caso não o sejam, não será possível concluir a viagem e continuará a ser descontado pagamento através da aplicação.
Na ocasião, Carlos Moedas pediu ainda ao Governo a delegação de competências nas autarquias para que possam ser responsáveis pelo licenciamento de trotinetas, o que atualmente não acontece.
O autarca assegurou também que a Polícia Municipal vai continuar a fiscalizar o uso indevido destes veículos.
Carlos Moedas destacou que, aquando do primeiro encontro com os operadores, Lisboa tinha mais de 15 mil trotinetas, quando uma cidade como Madrid, por exemplo, tem cerca de seis mil.
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