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Almirante Silva Ribeiro recebe a mais alta condecoração de Timor-Leste

Ex-CEMGFA montou, nos anos 1990, rede de comunicações clandestinas com Xanana Gusmão preso na Indonésia.

29 de novembro de 2025 às 01:30

Nos anos 1990, quando estava no SIED (serviço de informações), António Silva Ribeiro foi um dos criadores de uma rede de comunicações com telemóveis e telefones de satélite que permitiu a Xanana Gusmão, a partir da cadeia de Cipinang, na Indonésia, comandar a resistência em Timor-Leste, colocando-o em contacto com os líderes da frente armada, Konis Santana e Taur Matan Ruak, e a frente política exilada fora do território, José Ramos Horta e Mári Alcatiri. Os timorenses nunca o esqueceram. E esta sexta-feira o almirante - ex-Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e atual cronista do CM - foi distinguido com o Grau Colar da Ordem de Timor-Leste, o único a recebê-la na cerimónia comemorativa do 50.º aniversário da Declaração da Independência, realizada em Dili.

"Recebo esta condecoração com profunda honra e humildade, como um tributo ao corajoso povo de Timor-Leste, à sua Resistência e a todos aqueles com quem tive o privilégio de colaborar na construção da sua liberdade, segurança e desenvolvimento", reagiu António Silva Ribeiro ao CM.

A rede secreta de comunicações, que permitiu melhorar a coordenação estratégica da luta pela independência e que os principais dirigentes da Resistência timorense passassem a comunicar de forma rápida e direta a nível internacional, foi apenas um dos contributos do almirante para com Timor-Leste. Após a restauração da independência, a ligação aprofundou-se. Desde 2012, tem participado de forma contínua na formação de oficiais das Forças Armadas e das forças de segurança timorenses, através do Instituto de Defesa Nacional de Timor-Leste.

A distinção foi entregue numa cerimónia militar, perante altas entidades timorenses e estrangeiras, "em sinal de apreço e gratidão pela dedicação, empenho e profissionalismo demonstrados no exercício das suas atividades, contribuindo de forma exemplar para o bem-estar do povo de Timor-Leste e para o desenvolvimento da nossa Nação", justificou Ramos Horta, presidente de Timor-Leste.

A Ordem de Timor-Leste é a mais alta condecoração honorífica do Estado timorense. Criada em 2009, destina-se a reconhecer nacionais e estrangeiros que, pela sua atuação profissional, social ou por atos de especial dedicação e altruísmo, tenham contribuído de forma significativa para o bem de Timor-Leste, do povo timorense ou da humanidade. A Ordem é atribuída em vários graus, entre os quais se encontra o Grau Colar, reservado a personalidades que se distinguiram de forma excecional no fortalecimento das instituições, na consolidação da paz, na cooperação internacional e na projeção de Timor-Leste no mundo.

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