Infeção ocorre através de uma ferida na pele em contacto com água contaminada ou pela ingestão de marisco mal cozinhado e contaminado.
As altas temperaturas na época do verão bateram recordes tanto em terra como no mar e este aquecimento da água tem consequências para os ecossistemas marinhos.
Um novo relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) alerta que este fenómeno está a favorecer a propagação da Vibrio Vulnificus, uma bactéria "carnívora" que pode causar infeções graves e para a qual existe um risco acrescido de propagação durante os meses de verão, especialmente no Mar Báltico.
No verão de 2025 já tinham sido detetados casos noutras partes do mundo, como na Flórida, EUA. Este ano, o risco alastrou-se a novas regiões devido às altas temperaturas que se têm feito sentir, avança o La Voz de Galicia.
Embora o agente patogénico já tenha sido detetado na costa espanhola, os especialistas sublinham que ir ao banho no Mediterrâneo é seguro para a população em geral, uma vez que a bactéria se desenvolve mais em águas com menor salinidade do que as deste mar. Ainda assim, é recomendado que seja mantida a vigilância a pessoas vulneráveis e que não se tome banho com feridas abertas.
"Estas bactérias também foram encontradas noutros locais. Prevê-se que, à medida que as temperaturas da superfície do mar na Europa aumentem, o Vibrio se espalhe para outras zonas costeiras", explica o ECDC.
A bactéria "habita em águas salobras localizadas em regiões temperadas, tropicais e subtropicais. A sua temperatura ideal para crescimento situa-se entre os 28ºC e os 37ºC, pelo que a sua distribuição geográfica está a alargar-se para latitudes mais elevadas, em consequência do aquecimento global", acrescenta a professora Carmen Amaro da Universidade de Valência.
Este agente patogénico pode ser filtrado por moluscos marinhos como a concha, as ostras ou as amêijoas, que atuam como um reservatório.
Como ocorre a infeção?
Um médico especialista explica que a infeção ocorre através de uma ferida na pele em contacto com água contaminada ou pela ingestão de marisco mal cozinhado e contaminado. A infeção por feridas é a mais comum e, embora a maioria dos casos seja leve, já foram descritos casos de complicações muito graves, como a sépsis, a miosite ou fascite (uma infeção que destrói rapidamente a pele e os tecidos moles).
Este mecanismo de destruição dos tecidos é a razão pela qual esta bactéria foi apelidada de "carnívora".
O especialista recomenda consultar um médico caso se verifique uma ferida que piore rapidamente em contacto com a água do mar.
Grupos de risco
Em pessoas saudáveis, a infeção costuma ser ligeira e pode passar despercebida. No entanto, se a pessoa pertencer a um grupo de risco, a infeção pode evoluir para algo grave.
Os grupos mais vulneráveis são as pessoas que sofrem de doenças que comprometem, de alguma forma, a resposta imunitária à infeção, como a diabetes, doenças de fígado, hepatite, cirrose, cancro do fígado, entre outras. Além disso, a idade avançada também aumenta o risco de infeções graves.
Para reduzir o risco de infeções por esta bactéria podem ser tomadas precauções como evitar o consumo de marisco mal cozinhado, especialmente ostras e certificar-se de que estão bem cozinhadas.
Se tiver feridas abertas ou cortes é importante evitar nadar em águas salobras ou salgadas, ou cobrir a zona afetada com um penso impermeável. Se entrar acidentalmente em contacto com água do mar enquanto tiver arranhões, cortes ou feridas no corpo, é importante lavar a zona com água limpa e doce, aconselha a ECDC.
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