Novo Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução continua a prever a afetação de várias empresas e pavilhões industriais.
A Associação das Empresas da Zona Industrial de São Caetano, em Gaia, elogiou esta quinta-feira a recolocação da estação de alta velocidade em Santo Ovídio, mas lembrou que o processo continua e que a expropriação de empresas deve ser evitada.
"A reposição da estação de Gaia em Santo Ovídio é um desenvolvimento positivo e confirma que as preocupações levantadas pela APA [Agência Portuguesa do Ambiente], pelas populações e pelas empresas tinham fundamento. No entanto, para a Zona Industrial de São Caetano e dos Terços o problema está longe de estar resolvido", lê-se numa declaração enviada à agência Lusa.
A associação, que promete continuar "a analisar tecnicamente o projeto e a dialogar de forma construtiva com o consórcio e com as entidades públicas", diz que a expropriação de empresas não deve ser considerada inevitável.
"A Associação (...) entende que todas as alternativas devem ser seriamente estudadas antes de se concluir que a expropriação de empresas é inevitável. Estamos a falar de empresas instaladas há décadas, postos de trabalho e atividade económica relevante para Gaia. A reposição de Santo Ovídio foi uma correção importante, mas as zonas de São Caetano e Terços continuam a exigir uma solução justa", refere.
Segundo a associação, o novo Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) continua a prever a afetação de várias empresas e pavilhões industriais, apesar de no Estudo Prévio estas zonas estarem protegidas por uma solução em túnel.
"Aliás, os próprios documentos agora colocados em consulta pública mostram que o túnel de Gaia foi reduzido de cerca de 4,7 quilómetros previstos no Estudo Prévio para cerca de 3,4 quilómetros no atual Projeto de Execução, passando a iniciar-se apenas a norte da Zona Industrial de São Caetano", descreve.
Analisando o RECAPE, a associação refere que "esta opção resulta da reformulação da estratégia de túneis adotada pelo consórcio, privilegiando túneis monotubo mais curtos em detrimento de soluções mais extensas e dispendiosas".
A proposta para inserir a linha de alta velocidade no Porto confirma a existência de uma só ponte sobre o rio Douro, estação de Gaia em Santo Ovídio e uma passagem superior abrigada em Campanhã, consultou a Lusa na sexta-feira.
De acordo com o projeto de execução referente ao troço de Espinho, Porto e Gaia da linha de alta velocidade Porto-Lisboa, em consulta pública até dia 29, é possível ver que se mantém a previsão de demolições no Porto, entre as quais 44 habitações, sete atividades económicas (incluindo a bomba de gasolina na Avenida Gustave Eiffel) e três edifícios de outras categorias.
Já em Gaia, para onde estavam previstas pelo menos 64 afetações diretas de casas, estas passam a ser de 43, mas o número de empresas aumenta, passando de 22 para 37 entre o projeto de outubro de 2025, chumbado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e o atual.
Para a redução da demolição de habitações em Gaia contribui a não construção de uma estação em Vilar do Paraíso, uma vez que várias casas teriam de ser demolidas na zona de Guardal de Cima para a sua construção, o que já não vai acontecer, mas por outro lado mantém-se as demolições de várias empresas na zona industrial de São Caetano (15), bem como de nove na zona industrial dos Terços.
Em Gaia, a linha de alta velocidade será subterrânea na maior parte do traçado, estando prevista a construção do chamado túnel de Vila Nova de Gaia (3,4 quilómetros), túneis de Negrelos 1 (995 metros) e 2 (190 metros), túnel de Casaldeita (1,9 quilómetros), túnel sob a autoestrada A41 (65 metros) e, mais a sul, já entre Espinho e Santa Maria da Feira, de Cassufas (830 metros).
A ligação Porto-Lisboa em alta velocidade colocara as duas cidades a 01:15 de tempo entre si, e terá possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria.
Deverá estar pronta na totalidade em 2032, tal como Porto-Vigo, com estações no aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença.
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