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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Associação defende que projeto de alta velocidade em Gaia deve evitar expropriação de empresas

Novo Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução continua a prever a afetação de várias empresas e pavilhões industriais.

11 de junho de 2026 às 14:13

A Associação das Empresas da Zona Industrial de São Caetano, em Gaia, elogiou esta quinta-feira  a recolocação da estação de alta velocidade em Santo Ovídio, mas lembrou que o processo continua e que a expropriação de empresas deve ser evitada.

"A reposição da estação de Gaia em Santo Ovídio é um desenvolvimento positivo e confirma que as preocupações levantadas pela APA [Agência Portuguesa do Ambiente], pelas populações e pelas empresas tinham fundamento. No entanto, para a Zona Industrial de São Caetano e dos Terços o problema está longe de estar resolvido", lê-se numa declaração enviada à agência Lusa.

A associação, que promete continuar "a analisar tecnicamente o projeto e a dialogar de forma construtiva com o consórcio e com as entidades públicas", diz que a expropriação de empresas não deve ser considerada inevitável.

"A Associação (...) entende que todas as alternativas devem ser seriamente estudadas antes de se concluir que a expropriação de empresas é inevitável. Estamos a falar de empresas instaladas há décadas, postos de trabalho e atividade económica relevante para Gaia. A reposição de Santo Ovídio foi uma correção importante, mas as zonas de São Caetano e Terços continuam a exigir uma solução justa", refere.

Segundo a associação, o novo Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) continua a prever a afetação de várias empresas e pavilhões industriais, apesar de no Estudo Prévio estas zonas estarem protegidas por uma solução em túnel.

"Aliás, os próprios documentos agora colocados em consulta pública mostram que o túnel de Gaia foi reduzido de cerca de 4,7 quilómetros previstos no Estudo Prévio para cerca de 3,4 quilómetros no atual Projeto de Execução, passando a iniciar-se apenas a norte da Zona Industrial de São Caetano", descreve.

Analisando o RECAPE, a associação refere que "esta opção resulta da reformulação da estratégia de túneis adotada pelo consórcio, privilegiando túneis monotubo mais curtos em detrimento de soluções mais extensas e dispendiosas".

A proposta para inserir a linha de alta velocidade no Porto confirma a existência de uma só ponte sobre o rio Douro, estação de Gaia em Santo Ovídio e uma passagem superior abrigada em Campanhã, consultou a Lusa na sexta-feira.

De acordo com o projeto de execução referente ao troço de Espinho, Porto e Gaia da linha de alta velocidade Porto-Lisboa, em consulta pública até dia 29, é possível ver que se mantém a previsão de demolições no Porto, entre as quais 44 habitações, sete atividades económicas (incluindo a bomba de gasolina na Avenida Gustave Eiffel) e três edifícios de outras categorias.

Já em Gaia, para onde estavam previstas pelo menos 64 afetações diretas de casas, estas passam a ser de 43, mas o número de empresas aumenta, passando de 22 para 37 entre o projeto de outubro de 2025, chumbado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e o atual.

Para a redução da demolição de habitações em Gaia contribui a não construção de uma estação em Vilar do Paraíso, uma vez que várias casas teriam de ser demolidas na zona de Guardal de Cima para a sua construção, o que já não vai acontecer, mas por outro lado mantém-se as demolições de várias empresas na zona industrial de São Caetano (15), bem como de nove na zona industrial dos Terços.

Em Gaia, a linha de alta velocidade será subterrânea na maior parte do traçado, estando prevista a construção do chamado túnel de Vila Nova de Gaia (3,4 quilómetros), túneis de Negrelos 1 (995 metros) e 2 (190 metros), túnel de Casaldeita (1,9 quilómetros), túnel sob a autoestrada A41 (65 metros) e, mais a sul, já entre Espinho e Santa Maria da Feira, de Cassufas (830 metros).

A ligação Porto-Lisboa em alta velocidade colocara as duas cidades a 01:15 de tempo entre si, e terá possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria.

Deverá estar pronta na totalidade em 2032, tal como Porto-Vigo, com estações no aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença.

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