Noventa e três por cento dos furos de Almada são em território do concelho do Seixal (28 de um total de 32), segundo dados oficiais.
O presidente da Câmara do Seixal esclareceu esta quarta-feira que Almada capta a maior parte da sua água na freguesia de Corroios, inibindo o Seixal de fazer furos, obrigando-o a gastar "milhões de euros" para fornecer água à sua população.
"Almada captura grande parte da água que consome no concelho do Seixal, mais precisamente na freguesia de Corroios, e isso inibe-nos de fazermos mais furos na freguesia", disse Paulo Silva questionado pela Lusa sobre a possibilidade de uma colaboração entre estes dois concelhos vizinhos numa altura em que Almada sofre uma crise de abastecimento de água em varias zonas do concelho.
Noventa e três por cento dos furos de Almada são em território do concelho do Seixal (28 de um total de 32), segundo dados oficiais.
O autarca adiantou que o Seixal está disponível para colaborar e trabalhar em conjunto, mas tem de ser devidamente ressarcido, lembrando que existe uma contenda jurídica entre os dois municípios relacionada com este assunto.
"Consideramos que Almada tem de pagar pela água que captura no Seixal, bem como pela passagem das suas condutas no território do concelho do Seixal e Almada tem-se recusado a pagar qualquer quantia ao Seixal quer pela água, quer pela passagem, apesar de já ter sido condenada em tribunal", disse.
Paulo Silva frisou que Almada foi condenada em 2025 pelo Tribunal Administrativo de Almada a pagar ao concelho do Seixal pelas condutas, mas que o processo se encontra em recurso.
"Temos gasto milhões de euros a fazer condutas para levar a água do centro distribuidor de água da Amora para Corroios, para que não falte água à nossa população", disse.
A titulo de exemplo, Paulo Silva referiu que há três anos houve a necessidade de desviar uma conduta de Almada para construir uma creche.
"Falei com a senhora presidente da Câmara de Almada, que disse que o assunto não era com ela, e tivemos de gastar cerca de 300 mil euros a desviar a conduta", disse, adiantando que face ao problema atual de falta de água está disponível para falar com Inês de Medeiros e que aguarda marcação de reunião.
Nos últimos dias, moradores de várias localidades do concelho têm relatado sucessivas falhas de água, com especial incidência na Costa da Caparica.
Entretanto, foi ativado o plano de contingência dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada e criado um gabinete de crise.
Na terça-feira, em declarações à agência Lusa, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, anunciou que vai proibir alguns gastos de água não essenciais, para restabelecer reservas, esperando que no prazo de "duas a três semanas" seja possível ultrapassar sucessivas falhas de abastecimento no município.
A autarca disse ainda que já está "em marcha todo um sistema de distribuição de água por cisterna para as zonas mais críticas, para poder fornecer água às populações, naturalmente garantindo sempre o fornecimento de água aos equipamentos mais frágeis".
Isto, acompanhado do lançamento de "uma grande campanha de fiscalização" a tudo o que seja "desvio indevido de água", que "também aumentou muito", acrescentou.
Segundo a presidente da autarquia de Almada, "durante o mês de julho disparou um aumento anormal do consumo" de água, explicado por "uma série de fatores", nomeadamente o aumento de pessoas.
Para exemplificar, indicou que freguesias como Charneca da Caparica e Sobreda duplicaram "aquele que era o seu consumo habitual" nos primeiros seis meses do ano.
Inês de Medeiros aproveitou para agradecer à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e à Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) a colaboração na agilização para novos furos, bem como aos autarcas do Barreiro e de Sesimbra a disponibilização imediata para fornecer água, e negou que a escassez se deva a zonas como Raposo e Penajoia, onde baixou o consumo porque se está "a conseguir controlar esses desvios".
O PSD, na oposição no município, anunciou, entretanto, que vai apresentar uma moção de censura à presidência da autarquia, liderada por Inês de Medeiros (PS), iniciativa que será também acompanhada pelo Chega.
A Câmara Municipal de Almada, liderada pela socialista Inês de Medeiros, tem quatro elementos eleitos pelo PS, três pela CDU (PCP-PEV), dois pelo PSD e outros dois eleitos pelo Chega. Em minoria, o PS assinou um acordo de governação com a CDU.
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