Importações portuguesas de gás natural liquefeito russo diminuíram de 74 milhões de metros cúbicos em 2021 para 180 milhões de metros cúbicos em 2025
A Comissão Europeia destacou esta quarta-feira os "progressos significativos" de Portugal na redução da dependência da energia vinda da Rússia, desde a crise energética de 2022, porém pediu mais "esforços adicionais" para deixar de importar gás liquefeito russo.
"Portugal fez progressos significativos na redução da sua dependência da energia russa, mas ainda são necessários esforços adicionais, uma vez que o país continua a importar energia russa numa escala muito limitada", refere o executivo comunitário num relatório esta quarta-feira divulgado.
No documento sobre a iniciativa REPowerEU, lançada pela Comissão Europeia há cerca de quatro anos em resposta à crise energética causada pela invasão da Ucrânia pela Rússia, é indicado que Portugal conseguiu, no setor do gás, "uma redução substancial das importações em comparação com o período" anterior à guerra.
As importações portuguesas de gás natural liquefeito russo (GNL) diminuíram de 74 milhões de metros cúbicos em 2021 para 180 milhões de metros cúbicos em 2025, segundo o relatório.
"Este declínio resulta do reforço dos esforços de Portugal para diversificar o seu abastecimento energético, com foco na priorização de importações de GNL de fontes alternativas, como a Nigéria e os Estados Unidos. Os contratos que regulam as importações remanescentes de gás russo terão de ser alinhados com as disposições do regulamento REPowerEU", precisa o documento.
De acordo com Bruxelas, Portugal também "aumentou a segurança do seu abastecimento de gás, ao mesmo tempo que aumentou a quota das energias renováveis no seu cabaz energético".
Em 2024, o cabaz energético de Portugal continuou dominado pelo petróleo, com 47,3%, seguido por um ligeiro aumento das energias renováveis e dos biocombustíveis face a 2023, de 33,5% para 36,6%, enquanto o consumo de gás natural diminuiu de 18% em 2023 para 15,1% em 2024.
No documento, é feita uma menção ao apagão "sem precedentes" que afetou a Península Ibérica em abril de 2025.
É ainda referido que se espera que, em 2026, o nível de interligação de Portugal com a UE suba para 13,33%, aproximando-se da meta comunitária de 15% para 2030.
"A expansão contínua da capacidade de interligação transfronteiriça de Portugal, juntamente com o reforço da rede nacional, permitirá ao país integrar melhor a produção de energia renovável e aumentar a flexibilidade da rede e a capacidade de exportação", refere o executivo comunitário, lembrando o apoio da UE a vários projetos de interconexão em curso.
Os fundos europeus relacionados com a energia em Portugal incluem o Plano de Recuperação e Resiliência no capítulo REPowerEU, com um montante total de 21,9 mil milhões de euros, bem como a afetação de 969,5 milhões de euros a reformas relacionadas com hidrogénio renovável, biometano sustentável e simplificação do licenciamento de projetos de energias renováveis.
Acrescem as verbas da coesão, com 14,8 mil milhões de euros para Portugal, e o Fundo Social para o Clima, com 1,223 mil milhões de euros.
O REPowerEU visa reduzir a dependência da União Europeia dos combustíveis fósseis russos, reforçando simultaneamente a segurança energética e acelerando a transição para uma economia mais limpa.
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