"Paz sim, guerra não" eram as palavras de ordem dominantes entoadas pelos participantes na manifestação.
Várias centenas de pessoas manifestaram-se este sábado em Lisboa exigindo o fim das ameaças e agressões dos Estados Unidos da América (EUA) e de Israel contra o Irão, numa iniciativa organizada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação.
Com início na Cidade Universitária, o protesto seguiu minutos depois das 15:00 em direção à Embaixada dos Estados Unidos da América, terminando em Sete Rios, cerca das 16:30.
"Paz sim, guerra não" eram as palavras de ordem dominantes entoadas pelos participantes na manifestação que, numa tarde cinzenta e debaixo de uma chuva miudinha, prosseguiam em direção à Avenida das Forças Armadas gritando "Com mais armas só andamos para trás".
Muitos, não dispensaram os tradicionais lenços palestinianos ('keffiyeh') enrolados ao pescoço.
Nos cartazes de alguns manifestantes e nas faixas das organizações participantes vislumbravam-se apelos ao desarmamento, à independência da Palestina e ao fim da ingerência na Venezuela e do bloqueio a Cuba, entre outros.
A manifestação, apoiada por mais de 70 organizações sob o mote "Paz, Soberania e Solidariedade! Fim às ameaças e às agressões dos EUA!", visava igualmente contestar o alinhamento do Governo português "com a confrontação, o militarismo e a guerra", segundo os organizadores.
Isabel, 79 anos, disse à Lusa que decidiu participar no protesto porque "é preciso fazer alguma coisa". Depois de Gaza, agora os EUA e Israel "querem destruir o Irão" perante a atitude dos Governos que, à exceção de Espanha, "se ajoelham perante Trump", afirmou.
"Se nós não dissermos nada, toda a gente pensa que está tudo bem", acrescentou.
Luan, 29 anos, veio para "denunciar os ataques fascistas de Donald Trump contra a América latina e o clima de guerra e de imperialismo" na Europa, no Médio Oriente e no mundo.
"A gente vê esse avanço do Trump até contra a NATO, o grande guarda-chuva da Europa", sem que haja "um freio dos governos" do resto do mundo, segundo afirmou.
Condenando a "corrida armamentista para destruir as estruturas da sociedade atual", Luan criticou ainda o Governo português por estar a ceder a Base das Lajes "para os ataques imperialistas dos Estados Unidos".
Teresa, 34 anos, manifestou-se pela "defesa da independência de todos os povos e pelo fim à invasão e ao imperialismo dos Estados Unidos".
Segundo esta participante, "as organizações internacionais fazem parte, ou estão coniventes, com uma ideologia dominante, pró-estado unidense, pró-democracias liberais, quando já se viu que a defesa dos povos não faz parte das suas prioridades".
"Já foi a Palestina, agora querem metade do Líbano, não sei onde é que isto vai parar. Israel quer mandar no Médio Oriente todo, mas não pode ser", afirmou Conceição, 78 anos, mostrando a sua indignação sobre o ataque contra o Irão.
Lamentou que "uma pessoa sozinha, como o Trump", em parceria com o chefe do Governo de Israel, Benjamin Netanyahu, consiga por "o mundo todo em polvorosa", e que ninguém esteja a fazer-lhe frente.
"O nosso Governo e o ministro dos Negócios Estrangeiros são a vergonha dos portugueses", disse ainda, criticando a ausência de uma reação contrária à guerra do Médio Oriente.
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