CGTP exige ao Governo português "o respeito pelo direito internacional, a carta das nações unidas e a Constituição da República Portuguesa e uma posição clara ao lado da paz e do direito internacional".
A CGTP condenou esta segunda-feira o ataque militar dos EUA ao Irão, executado "à margem do direito internacional" e com a "cumplicidade" da União Europeia e de Portugal, e exigiu uma "posição clara" do Governo português em defesa da paz.
"A impunidade destes atos dão conta da cumplicidade da União Europeia e dos seus Estados-membros, nomeadamente Portugal", sustenta a central sindical em comunicado, salientando que, "além de não condenar esta agressão, Portugal está diretamente envolvido ao permitir a utilização da Base das Lajes como base de apoio para este ataque ilegal".
Neste contexto, a CGTP exige ao Governo português "o respeito pelo direito internacional, a carta das nações unidas e a Constituição da República Portuguesa e uma posição clara ao lado da paz e do direito internacional".
"O ataque dos EUA e de Israel ao Irão é um ato condenável, executado à margem do direito internacional, violando os princípios da carta das nações unidas e do direito internacional, e mais um passo na escalada de confrontação e guerra que afeta o Médio Oriente", afirma a central sindical.
Salientando que este ataque acontece "enquanto decorrem importantes negociações entre os EUA e o Irão sobre o programa nuclear iraniano", a CGTP acusa o "imperialismo norte-americano, com o seu principal aliado na região, Israel", de querer "impor à força o domínio sobre a região e os seus recursos naturais, nomeadamente o petróleo, aprofundando o cerco e confrontação com a China".
De acordo com a central, há décadas que os EUA, Israel e os seus aliados da NATO prosseguem "uma política de agressão e desestabilização do Médio Oriente, disseminando o terror e a guerra no Afeganistão, Iraque, Líbia, Iémen, Líbano, Síria" e promovendo "a criminosa ocupação do território palestiniano e o genocídio contra o povo Palestino".
"Israel demonstra mais uma vez, com este ato de agressão, ser a principal fonte de desestabilização no Médio Oriente e uma ameaça permanente à paz, único país na região que detém armas nucleares", acusa.
Quanto aos EUA, a CGTP afirma que os atuais bombardeamentos se inserem num "conjunto de agressões" que o país tem promovido contra vários países, dando como exemplos "a ameaça sobre a Gronelândia, os ataques à Venezuela e o recrudescimento do bloqueio a Cuba".
Enfatizando que "a guerra não serve aos trabalhadores", que são quem sofre "as consequências diretas e indiretas da escalada armamentista que tem sido utilizada para aumentar a exploração, com o ataque aos direitos e o aumento do preço dos bens alimentares e da energia", a central apela à mobilização para as manifestações convocadas para dia 14, às 15:00, em Lisboa e no Porto, com o lema "Paz, pela soberania e a solidariedade. Fim às ameaças e à agressões dos EUA".
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa "eliminar ameaças iminentes" do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".
O Irão já confirmou a morte do 'ayatollah' Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.
Pelo menos 555 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de três militares norte-americanos.
Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.
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