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Cientistas desenvolvem teste sanguíneo que pode prever doença de Crohn antes de sintomas

Teste permite medir a resposta imunitária de uma pessoa à flagelina, uma proteína presente em bactérias intestinais da família 'Lachnospiraceae'.

12 de janeiro de 2026 às 14:08

Cientistas desenvolveram um teste sanguíneo que pode prever a doença de Crohn anos antes do aparecimento dos sintomas, abrindo caminho para o diagnóstico precoce e, potencialmente, para a prevenção através de uma vacina, foi divulgado esta segunda-feira.

O teste permite medir a resposta imunitária de uma pessoa à flagelina, uma proteína presente em bactérias intestinais da família 'Lachnospiraceae'.

Segundo os cientistas, a presença de anticorpos contra a flagelina muito antes do aparecimento de quaisquer sintomas sugere que esta reação imunitária pode contribuir para desencadear o aparecimento da doença, em vez de ser uma consequência da mesma, refere em comunicado o Instituto de Investigação Lunenfeld-Tanenbaum, no Canadá, que conduziu o trabalho, descrito na publicação Clinical Gastroenterology and Hepatology.

A equipa acompanhou 381 familiares de primeiro grau de pessoas com doença de Crohn, dos quais 77 desenvolveram a doença posteriormente. Destes, 28 apresentaram respostas elevadas de anticorpos, sendo mais fortes em irmãos.

Os investigadores confirmaram que a resposta de pré-doença à flagelina das bactérias 'Lachnospiraceae' estava associada à inflamação intestinal e à disfunção da barreira intestinal, ambas características da doença de Crohn.

O período habitual entre a colheita da amostra de sangue e o diagnóstico de doença de Crohn nas pessoas em fase de pré-doença foi de quase dois anos e meio.

Num estudo anterior, os cientistas tinham verificado que pessoas com doença de Crohn têm níveis elevados de anticorpos dirigidos à flagelina das bactérias 'Lachnospiraceae' e que muito antes do desenvolvimento da patologia pode surgir uma resposta imunitária inflamatória a estas bactérias intestinais.

Em pessoas saudáveis, as bactérias coexistem pacificamente no intestino e desempenham um papel essencial na manutenção da saúde digestiva.

Na doença de Crohn, no entanto, o sistema imunitário parece desencadear uma resposta anormal contra microrganismos normalmente benéficos, adianta a nota do Instituto de Investigação Lunenfeld-Tanenbaum.

A doença de Crohn é uma patologia inflamatória intestinal crónica que pode causar dor abdominal do tipo cólica, diarreia, perda de peso e fadiga.

Os resultados divulgados esta segunda-feira do trabalho realizado por investigadores do Instituto Lunenfeld-Tanenbaum, que carecem de validação em mais estudos, perspetivam, segundo os autores, o potencial para a criação de uma vacina dirigida à flagelina das bactérias intestinais em pessoas consideradas de alto risco para prevenir o aparecimento da doença de Crohn.

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