À margem de uma intervenção num debate sobre as consequências da tempestade Kristin, o secretário executivo da Comunidade Intermunicipal de Leiria lamentou que o país não tenha rápida capacidade de resposta.
O secretário executivo da Comunidade Intermunicipal de Leiria, Paulo Batista Santos, lamentou esta terça-feira que o país não tenha rápida capacidade de resposta a situações como a tempestade Kristin e alertou para a necessidade de tornar as regiões mais resilientes.
A tempestade Kristin, que afetou sobretudo a região de Leiria no final de janeiro, veio expor a "falta de capacidade de recuperação do país em termos de emergências", afirmou Paulo Batista Santos, lamentando que Portugal não tenha "um fundo de calamidade que seja operativo e que possa responder sem burocracias a este tipo de apoio de emergência".
Numa intervenção num debate sobre as consequências da tempestade Kristin, o primeiro secretário da Comunidade Intermunicipal (CIM) de Leiria disse não ter dúvidas de que, apesar de a região ter "uma excelente estrutura em termos de proteção civil", não tem a necessária capacidade de resposta em situações de emergência.
"Do ponto de vista da reação e do planeamento temos que ser mais resilientes, mais eficazes e congregar tudo aquilo que é o dispositivo existente", salientou.
No debate, que decorreu 'online' e foi organizado pelo Departamento de Proteção Civil da Universidade Lusófona - Centro Universitário do Porto, Paulo Batista Santos alertou também que depois da devastação "não basta recuperar" e que a recuperação, de Leiria e do resto do país, tem que ser feita com resiliência".
"Estar a repor a rede elétrica, como existia no passado [sem enterrar as linhas], significa que no próximo evento que tenhamos aqui no território, o drama vai ser maior", notou, lamentando que não se aposte na prevenção e se fique "apenas na reação".
Paulo Batista Santos fez um ponto de situação dos impactos da tempestade que causou danos "em todos os 10 municípios" da CIM de Leiria, onde os prejuízos estão estimados em 560 milhões de euros, com a capital do distrito a concentrar 58,3% dos prejuízos da região Centro e danos na ordem dos 961 milhões de euros.
A tempestade, que nestes 10 município causou seis mortos, 775 feridos e 344 pessoas deslocadas, foi ainda responsável por um apagão generalizado que deixou 94 mil clientes da E-Redes sem eletricidade, cortou estradas, condicionou serviços públicos e deixou várias infraestruturas críticas inoperacionais, lembrou.
Na região foram mobilizados para o terreno mais de 12.128 operacionais, apoiados por 3.874 viaturas, ao longo de vários dias em que a resposta municipal passou por garantir à população 1.750.000 metros quadrados de lonas para tentar impermeabilizar telhados, para os quais foram também fornecidas 550.000 telhas, distribuídas por 11 mil pessoas.
O apoio à população passou igualmente por fornecer 442 toneladas de alimentos (entregues a 9.827 famílias) e por realizar mais de um milhar de visitas domiciliárias para atendimentos sociais e psicológicos, acrescentou.
Na dimensão global do impacto, sublinhou, há ainda a contabilizar um prejuízo e um custo de reposição de infraestruturas públicas coletivas que ultrapassa os 243 milhões de euros na região onde, além de património e equipamentos destruídos, oito milhões de árvores terão caído.
Valores a que se juntam os prejuízos de privados, que submeteram 8.355 candidaturas a apoios (das quais já foram pagas 157) e de empresas que recorreram a linhas de financiamento.
No debate participou ainda o 2.º Comandante sub-regional da Região de Leiria da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Ricardo Costa, que falou sobre os meios empenhados durante a tempestade, quando foi registada "uma ocorrência a cada sete segundos".
Destacando "aquilo que correu bem" em termos operacionais, o comandante assegurou que "o SIRESP [sistemas nacionais de comunicações de emergência] funcionou" e que a articulação entre os agentes de proteção civil, autoridades e forças armadas, potenciou a resposta operacional.
Na lista do que correu mal, o responsável destacou "os problemas energéticos e de comunicações" que evidenciaram a falta de "resiliência energética estrutural" de serviços como hospitais, centros de saúde e lares, entre outros.
Da sessão ficou a mensagem de que "é preciso aprender" com este tipo de situações já que, no que toca a estruturas "o risco não se anula" e "o planeamento é decisivo", disse o catedrático da Universidade Lusófona Elói Figueiredo.
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