Diretor-geral da exibidora, Nuno Aguiar, disse que o Sporting não renovou o acordo de exploração com a exibidora NOS e remeteu mais explicações para o clube desportivo.
As doze salas de cinema NOS Alvaláxia, no complexo do estádio do Sporting, em Lisboa, encerraram na quinta-feira, disse esta sexta-feira à agência Lusa o diretor-geral da exibidora, Nuno Aguiar.
Este responsável disse que o Sporting não renovou o acordo de exploração com a exibidora NOS e remeteu mais explicações para o clube desportivo.
"Eram salas que gostávamos de ter, mas foi essa a decisão", disse Nuno Aguiar.
Atualmente denominado Cinemas NOS Alvaláxia, este complexo chegou a ter 16 salas à data da inauguração, em 2003, numa zona comercial no então novo estádio José Alvalade, do Sporting, em Lisboa.
Na altura, este cinema - designado Cinemas Millenium Lisboa -- era explorado pelo produtor Paulo Branco e uma das 16 salas tinha um sistema inédito de projeção digital. Para a abertura foi anunciada a presença da atriz francesa Catherine Deneuve.
Em agosto de 2025, o Sporting anunciou a conclusão da compra do espaço comercial Alvaláxia (onde está integrado o complexo de cinema), numa operação avaliada em 17 milhões de euros, no âmbito do projeto "Cidade Sporting", que deverá incluir a criação de um museu do clube.
"A aquisição do Alvaláxia constitui um marco de grande relevância no caminho definido pelo clube para afirmar-se como um eixo de entretenimento de excelência à escala global", referiu o clube desportivo em comunicado, no verão passado.
Segundo os dados mais recentes coligidos pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), em 2025 este complexo de cinemas NOS Alvaláxia acolheu 121.783 espectadores, abaixo dos 193.992 espectadores contabilizados em 2024.
Em 2019, antes da pandemia da covid-19, aquele cinema registou 275.776 entradas.
A exibidora Cinemas NOS detinha 218 salas de cinema das 565 a operar em todo o país, segundo dados contabilizados pelo ICA até novembro passado.
Estas 12 salas de cinema encerram numa altura em que existe um grupo de trabalho, criado pelo Governo, para refletir sobre a exibição de cinema e o fecho de salas no país.
Em dezembro, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, disse à Lusa que este grupo de trabalho, que integra a IGAC e o ICA, iria "olhar para o histórico dos últimos três anos" sobre pedidos de desafetação, e que terá conclusões no primeiro trimestre deste ano.
Em setembro, a agência Lusa noticiou que, em 2025, foram feitos vários pedidos de desafetação de atividade cinematográfica e houve encerramentos de salas de cinema, a maioria a operarem em centros comerciais sob gestão da Sonae Sierra, em várias localidades.
A título de exemplo, o Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia, o maior complexo de cinema do país, explorado pela exibidora UCI, foi autorizado a desafetar a atividade cinematográfica em nove das 20 salas, por questões de "viabilidade económica".
Também foram feitos pedidos de desafetação das quatro salas do Estação Viana Shopping, em Viana do Castelo, e de seis das 12 salas dos Cinemas Cineplace Braga.
A Cinemas NOS encerrou a exploração de cinco salas no MaiaShopping (Porto), cinco salas no Tavira Grand Plaza (Faro) e seis salas no Fórum Viseu.
Em outubro, o jornal Público noticiou que a exibidora Cineplace encerrou salas no Algarve Shopping, na Guia (Faro), no Madeira Shopping, no Funchal, e no Rio Sul Shopping, no Seixal (Setúbal).
A Lusa pediu esclarecimentos, em novembro, à Sonae Sierra e às exibidoras Cineplace e UCI e não obteve resposta.
Em dezembro, Nuno Aguiar, da Cinemas NOS, dizia à Lusa que "o setor da exibição em Portugal é dinâmico" e que por isso "é normal abrirem salas em algumas regiões e encerrarem noutras".
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