Estudo sugere que passar muito tempo à frente do ecrã na infância pode conduzir à dependências perigosas no futuro.
Tem filhos e deixa-os ver televisão com frequência? Um estudo recente realizado por um grupo de investigadores da universidade de Otago, na Nova Zelândia, alerta para os possíveis efeitos colaterais que passar muito tempo diante o ecrã pode trazer.
Segundo os dados apurados na investigação, as crianças que veem televisão mais de duas horas por dia são as mais prováveis de virem a desenvolver vícios perigosos como o jogo, álcool, tabaco e outras drogas na fase adulta.
40 anos de dados
O estudo foi publicado no Journal of Mental Health and Adiction (Jornal da Saúde Mental e Vício) em setembro deste ano. Para avaliarem as tendências comportamentais a que a televisão podia levar, os cientistas basearam-se num grupo de controlo de mil pessoas. Os indivíduos foram escrutinados desde a infância até à fase adulta. Estes dados foram recolhidos do Estudo Multidisciplinar de Saúde e Desenvolvimento de Dunedin. A pesquisa reúne 40 anos de informações sobre 1037 pessoas.
Os resultados do estudo revelaram que uma parte das pessoas, que entre os cinco e os 15 anos viam televisão frequentemente, tinham desenvolvido algum vício, seja ao jogo ou a alguma droga.
De acordo com os dados apurados, os jovens que viam mais de duas horas televisão por dia tinham 29% de maior tendência a criar vícios do que aqueles que não viam. No que toca ao tabaco e à canábis, quem passava muito tempo a assistir programas televisivos e a filmes era 20% mais provável de criar dependência.
A televisão como primeiro vício do indíviduo
"Esta investigação indica que, para algumas pessoas, ver televisão pode ser um vício embrionário e/ou pode levar a desordens posteriores relacionadas com substâncias e outras desordens viciantes", explica uma das investigadoras do estudo e especialista em medicina preventiva, Helena McAnally.
Tendo em conta que o apego à tecnologia é cada vez maior e que as crianças de hoje veem muito mais televisão do que se via há quatro décadas atrás, os cientistas alertam para a necessidade de limitar o acesso aos ecrãs.
Segundo reporta o jornal britânico Daily Mail, um estudo separado feito nos Estados Unidos, descobriu que a média atual de horas que os jovens norte-americanos americanos veem televisão é de quatro horas por dia. A Academia pediátrica americana recomenda a que os pais não deixam os filhos verem televisão mais de duas horas por dia.
Resultados baseados na observação
A sugestão, deixada pelos autores da investigação neozelandesa, é que a televisão pode, para os mais novos, se tornar uma fonte de dependência e levar a que, naturalmente, as crianças fiquem com mais vontade de passar mais tempo em frente do ecrã. Algumas teorias ligadas à comunicação referem que a qualidade e o tipo de programas que são vistos também podem influenciar os comportamentos que vão sendo adotados ao longo dos anos.
As conclusões do estudo basearam-se na observação e em tendências, não conseguindo assim provar que a televisão seja a causa direta para as dependências problemáticas. Fatores como a genética, influência familiar, estrutura social e conteúdo visto não foram considerados.
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