Portugal surge em 4.º lugar neste 'ranking' liderado pela Alemanha: São quase três anos que separam o tempo de espera de um doente em Portugal (919 dias) de um na Alemanha (47 dias).
Os doentes portugueses são dos que mais esperam para ter acesso a medicamentos inovadores para o tratamento do cancro, segundo um estudo europeu que mostra que em Portugal é preciso aguardar 919 dias.
Um grupo de investigadores quis perceber quanto tempo demorava a chegar ao mercado um novo fármaco para o cancro e para isso analisou o percurso dos 56 novos tratamentos que foram aprovados desde 2021. Os resultados divulgados agora colocam Portugal entre os piores.
Apenas na Roménia, Lituânia e Estónia é preciso esperar mais tempo do que em Portugal para encontrar no mercado um novo fármaco para o cancro, revela o relatório realizado pela Federação Europeia das Indústrias e Associações Farmacêuticas (EFPIA).
Na Estónia, os pacientes esperam em média 1.227 dias depois de o medicamento ser autorizado, mais 199 dias do que na Lituânia, onde o tempo médio de espera são três anos. Já na Roménia, demora em média 925 dias.
Portugal surge em 4.º lugar neste 'ranking' liderado pela Alemanha: São quase três anos que separam o tempo de espera de um doente em Portugal (919 dias) de um na Alemanha (47 dias).
A desigualdade no acesso aos novos medicamentos é visível no relatório, que alerta também para o facto de que nem todos os 56 novos fármacos estavam disponíveis no início deste ano.
A Alemanha lidera também este 'ranking' com 91% dos fármacos autorizados desde 2021 já acessíveis, enquanto a Turquia surge no extremo oposto, com apenas 7%.
Nesta análise, Portugal destaca-se pela positiva, tendo já no mercado nacional 61% dos novos medicamentos, ao lado de países como a Suécia, Eslovénia, Polónia e Bélgica, e 10 pontos percentuais acima da média europeia (51%).
No entanto, os portugueses com doenças raras são os que mais esperam por novos fármacos oncológicos dos 36 países analisados: São precisos 859 dias desde que é dada autorização para a sua comercialização.
Mais uma vez, os doentes alemães são os têm mais rápido acesso, esperando em média apenas 44 dias, ou seja, é uma diferença de mais de dois anos em relação aos portugueses.
O estudo mostra que a média europeia é de 614 dias para medicamentos para doenças oncológicas raras e sublinha que também aqui nem todos os novos fármacos estão disponíveis.
A Alemanha é o país que disponibilizou mais medicamentos inovadores para as doenças raras (97%), segundo uma tabela em que Portugal surge em 8.º lugar (56%). No final do 'ranking' aparece a Turquia (5%).
Sobre os medicamentos raros que não são dirigidos para o cancro, a situação é mais grave, já que em média apenas 39% dos novos fármacos estão disponíveis.
O relatório da Federação Europeia das Indústrias e Associações Farmacêuticas (EFPIA) aponta para "um cenário de desigualdade crescente" no acesso e disponibilidade dos medicamentos inovadores na Europa.
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