Comissões de utentes da Península de Setúbal têm reivindicado a construção do hospital do Seixal, a reativação do hospital do Montijo e a construção de unidades de saúde de cuidados primários necessárias para as populações em todos os concelhos.
Doze organizações de utentes dos serviços públicos assinaram um manifesto no qual criticam o encerramento da urgência de ginecologia e obstetrícia do Barreiro, distrito de Setúbal, e que pretendem entregar à ministra da Saúda na sexta-feira.
No manifesto as organizações, que no sábado estiveram reunidas em Pinhal Novo, no concelho de Palmela, consideram que o encerramento das urgências daquela valência da unidade hospitalar é "incompreensível e injustificável".
Por outro lado, defendem que "irá agravar os atuais constrangimentos existentes e sobrecarregar a urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital Garcia de Orta, onde serão concentradas, e potenciar as condições para que os partos possam ocorrer, ainda com mais frequência, fora de um ambiente hospitalar seguro e necessário, em caso de intercorrência", tendo em conta a distância entre os concelhos servidos pelo Hospital de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, e o Garcia de Orta, em Almada.
As comissões de utentes da Península de Setúbal têm reivindicado a construção do hospital do Seixal, a reativação do hospital do Montijo e a construção de unidades de saúde de cuidados primários necessárias para as populações em todos os concelhos.
"O que se impõe é uma opção clara pelo investimento no serviço público de saúde, dotando os centros de saúde e os hospitais da Península de Setúbal dos meios financeiros, humanos e materiais necessários para responder às necessidades da população. É com esse compromisso que continuamos atentos, exigentes e confiantes de que é possível construir um Serviço Nacional de Saúde melhor, em defesa dos utentes", advogam no documento.
Na sua opinião, o objetivo das alterações é, "claramente, a privatização do serviço público".
"Enquanto se apregoa o 'caos' no Serviço Nacional de Saúde, cresce a oferta privada de camas e serviços. Com o crescimento exponencial da oferta privada, começam já a aumentar o preço dos seguros e a diminuição dos serviços convencionados", sustentam.
No manifesto refere-se que a Península de Setúbal tem cerca de 252 mil utentes sem médicos de família e uma mortalidade infantil superior à média nacional. Há partos realizados em ambulâncias devido ao reencaminhamento das grávidas para o Hospital Garcia de Orta e para hospitais da Grande Lisboa, na margem norte do Tejo.
Na urgência obstétrica do Barreiro, é também indicado, foram realizados entre 2014 e 2024 mais de 16 mil partos.
Entendem as organizações que o Serviço de Ginecologia/Obstetrícia do Barreiro tem tido um papel fundamental na prestação de cuidados às mulheres da região e que o encerramento das suas urgências compromete a segurança da resposta materno-infantil.
O documento foi assinado pelas comissões de utentes da saúde de Almada, do Seixal, de Setúbal, do Montijo, do Bairro dos Martinheiros e de Palmela.
Assinaram-no ainda a Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Concelho do Barreiro, a Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, a Comissão Representativa dos Utentes dos Serviços Públicos de Saúde da Quinta do Conde, a Comissão de Utentes de Pinhal Novo, a Comissão de Utentes de Serviços Públicos do Concelho de Sesimbra e o Movimento dos Utentes de Serviços Públicos.
A urgência regional de ginecologia e obstetrícia da Península de Setúbal, a segunda do país no âmbito deste novo modelo, entra esta quarta-feira em funcionamento, para responder à falta de profissionais de saúde nesta especialidade.
A urgência centralizada vai funcionar a partir das 09h00 em dois polos, um no Hospital Garcia de Orta e outro no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, a considerar que esta é uma solução para garantir previsibilidade e segurança às utentes.
O hospital-sede da urgência regional de ginecologia e obstetrícia da Península de Setúbal, que tem apoio perinatal diferenciado, é o Garcia de Orta, cabendo ao Hospital de São Bernardo assegurar o serviço de urgência para a população da sua área de influência - Setúbal, Alcácer do Sal, Grândola, Palmela, Santiago do Cacém, Sesimbra e Sines.
A urgência do hospital do Barreiro encerra, mas a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde assegurou que a maternidade vai continuar a funcionar.
Esta é a segunda urgência regional a abrir portas, depois de uma solução idêntica ter sido adotada a partir de 16 de março no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures (distrito de Lisboa), no âmbito de um novo modelo que tem motivado a contestação de autarcas e representantes dos utentes.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.