CEO da EDP afirmou que os preços da energia em Portugal e Espanha "continuam bastante em linha com o que estavam antes".
O presidente executivo da EDP disse esta terça-feira que a Península Ibérica está "muito bem posicionada" para responder à crise provocada pela guerra no Médio Oriente devido à aposta nas renováveis, descartando uma escalada nos preços da eletricidade.
"A Península Ibérica está muito bem posicionada nesta crise" por causa da "penetração muito grande de renováveis", com os preços da eletricidade a serem substancialmente inferiores em Portugal e Espanha do que noutros países da União Europeia (UE), disse Miguel Stilwell d'Andrade, em declarações a jornalistas em Madrid.
O presidente executivo (CEO) da EDP afirmou que os preços da energia em Portugal e Espanha "continuam bastante em linha com o que estavam antes" e "o gás só marcou este ano 15% das horas de preço" da eletricidade, enquanto em países como a Itália determinou 85%.
"Este tipo de crise demonstra, mais uma vez, o importante que é seguir com esta aposta [nas renováveis]", acrescentou, sublinhando que se trata também de "investir em segurança nacional, independência energética, em competitividade".
O CEO da EDP, que falava no arranque do evento anual (uma feira e conferências) da associação Wind Europe, que promove as eólicas na UE, defendeu que a aposta nas renováveis deve manter-se, mas alertou que tem de ser diversificada e que está a haver "cada vez mas um desvio para o solar e para as baterias".
"O que não está mal. Mas não devemos esquecer que é necessário um mix energético diversificado", acrescentou.
Tanto nas declarações aos jornalistas como na sessão inaugural da Wind Europe 2026, Miguel Stilwell d'Andrade defendeu que a energia eólica é crítica para a competitividade da Europa e dos preços da energia, por ser uma fonte potencialmente disponível durante todas as horas do dia e durante todo o ano, ao contrário da solar.
Os preços da eletricidade poderiam ainda ser mais baixos em Portugal e Espanha se fossem reduzidos os impostos, sublinhou Miguel Stilwell d'Andrade, que afirmou que política energética é diferente de política fiscal e de política industrial.
O CEO da EDP insistiu em que há tecnologia e disponibilidade de verbas para investir mais nas renováveis - e nas eólicas em particular - e que é possível "fazer mais e mais depressa", para responder à crescente procura, mas para isso os Estados-membros da União Europeia têm de fazer as transposições das diretivas e das recomendações europeias de forma consistente, para agilizar licenciamentos e outras burocracias.
Sobre a resposta da UE ao impacto da atual guerra no Médio Oriente, iniciada com ataques dos EUA e de Israel ao Irão, considerou que os responsáveis europeus "claramente aprenderam com a crise da Ucrânia", quando "cada país acabou por implementar as suas medidas e, portanto, às tantas, aquilo era uma confusão", "ingerível e para os investidores".
"Refreou imenso o investimento", afirmou.
Agora, a Comissão Europeia propôs uma série de medidas e fez uma série de recomendações "muito mais estruturadas e estão a ser muito vocais" na defesa da necessidade de "manter essa estabilidade" e assegurar "que as medidas sejam mesmo bem pensadas e sejam consistentes por todos os países", defendeu.
O responsável do negócio da EDP na Europa e na Península Ibérica, Duarte Bello, presente no mesmo encontro com jornalistas em Madrid, acrescentou que o setor das renováveis e a transição energética são "de longo prazo" e precisam de "sinais consistentes".
Perante uma nova crise, é importante que a UE e os países membros mantenham "a cabeça fria" e adotem medidas e discursos que não afetem "os sinais de longo prazo", afirmou.
"Até agora, penso que não têm tomado medidas que nos tirem esses sinais. Mas nós temos de ser vocais a dizer que mantenham esta linha de ação porque para nós é importante ter estes sinais para continuar a investir no longo prazo", acrescentou Duarte Bello, que realçou que a Península Ibérica só é hoje um exemplo a nível das renováveis e da segurança energética por causa de 20 anos de investimentos consistentes.
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