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Espólio com mais de seis mil peças ficou submerso em Alcácer do Sal

Reservas, que datam desde o Paleolítico, são uma "amálgama de peças".

18 de fevereiro de 2026 às 16:56

Um espólio com mais de seis mil peças arqueológicas, que datam desde o Paleolítico, ficou submerso devido às cheias que assolaram a cidade de Alcácer do Sal, segundo a coordenadora do setor de Arqueologia e Museus do município.

Marisol Ferreira disse esta quarta-feira à agência Lusa que o Museu Municipal Pedro Nunes, um dos mais antigos do país e inaugurado em abril de 2019, "ficou bastante afetado" com as cheias naquela cidade do distrito de Setúbal, chegando a água, no edifício, a ter 70 centímetros de altura.

Segundo a coordenadora, uma área que os arqueólogos tinham musealizada e que continha "um grande contentor da época romana" ficou inundada e danificada, bem como as reservas da cripta arqueológica e do museu, que se encontravam na cave do edifício da Câmara Municipal.

As reservas, com uma ampla cronologia, são uma "amálgama de peças", de acordo com Marisol Ferreira, pois contêm ânforas, algumas estátuas, peças de malacologia (conchas), etnográficas e geológicas, entre outras.

A equipa do setor de Arqueologia e Museus, que é reduzida, está a tentar recuperar o património arqueológico, sendo que este processo, que passa pela limpeza dos objetos, a sua restauração e catalogação, "vai ser um trabalho muito longo e difícil".

"É um processo que nós durante uma escavação fazemos. Retiramos, lavamos, etiquetamos [e] inventariamos. Grande parte [das peças arqueológicas] estão inventariadas, algumas não estavam, mas voltamos a fazer o mesmo", referiu Marisol Ferreira, frisando que "é um trabalho moroso que tem que ter uma equipa bastante ampla para se fazer".

As peças vão ter que ser tratadas cada uma com a sua especialidade, sendo que a equipa arqueológica poderá vir a ter mais arqueólogos a colaborar.

"A ver se conseguimos ainda salvar alguns elementos, porque vamos perder alguma informação, que foram sacos que se abriram, iam saindo as peças, porque aquilo foi uma revolução autêntica", sublinhou.

Apesar da extensão dos danos ainda ser desconhecida, uma vez que ainda estão a ser retirados todos os achados arqueológicos para depois serem contabilizados, a especialista acredita que vão "conseguir salvar a maior parte dos elementos que estavam guardados".

Na terça-feira, a autarquia anunciou na rede social Facebook que a recuperação das reservas museológicas tinha começado.

"As reservas do Museu Municipal Pedro Nunes e da Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal ficaram submersas nas cheias que assolaram a nossa cidade. São milhares de objetos com importância histórica fundamental para o conhecimento do nosso passado, que estão agora a ser resgatados do lodo e da destruição", lê-se na nota.

O presidente da Associação Portuguesa de Museologia (APOM), João Neto, visitou os espaços afetados e declarou que ia "transmitir toda a informação à ministra da Cultura, [Margarida Balseiro Lopes], de modo a agilizar a recuperação e garantir a salvaguarda do espólio arqueológico do município".

O conselho alentejano foi afetado por inundações, depois de o rio Sado ter galgado as margens e inundado a Avenida dos Aviadores, a zona ribeirinha, ruas e travessas, afetando comércio, residências e restaurantes.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.

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