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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Estudantes guineenses retidos no aeroporto de Lisboa ameaçados de repatriamento caso não entreguem documentação

41 guineenses têm até sexta-feira para entregar os documentos em falta.

01 de setembro de 2025 às 13:47

Os 41 guineenses com visto de estudante impedidos de entrar em Portugal e que estão no aeroporto de Lisboa foram informados que têm até sexta-feira para apresentar a documentação solicitada após aterrarem ou serão repatriados, segundo um porta-voz do grupo. 

A informação foi avançada à agência Lusa por Eliseu Sambú, coordenador do departamento de comunicação da Associação de Estudantes da Guiné-Bissau em Lisboa (AEGBL), que desde quinta-feira tem acompanhado estes estudantes guineenses.

Atualmente são 41 os guineenses que chegaram a Portugal com um visto de estudante, documentação passada pelas autoridades portuguesas nos serviços consulares da Guiné-Bissau, mas que não conseguiram entrar em Portugal porque o serviço da imigração no aeroporto de Lisboa solicitou mais documentação.

Eliseu Sambú explicou que os estudantes apresentaram o passaporte e o visto e que os serviços os terão questionado sobre as universidades públicas portuguesas em que iriam estudar.

Estes estudantes estão inscritos no ensino superior português, com o seu nome na lista dos alunos colocados, segundo disse.

O porta-voz do grupo adiantou que, após esta solicitação, e com a ajuda da associação de estudantes, alguns familiares dos estudantes foram contactados e dirigiram-se ao aeroporto, onde apresentaram o documento.

Segundo Eliseu Sambú, o serviço de imigração comunicou que os estudantes têm até sexta-feira para apresentar a documentação solicitada, caso contrário serão repatriados para a Guiné-Bissau.

Sobre as condições em que estes estudantes se encontram, disse que não são as indicadas para 41 pessoas que ali começaram a chegar na quinta-feira.

"Isto é desagradável, desumano e inaceitável. Exigimos esclarecimentos dos serviços de Portugal e um posicionamento das autoridades guineenses", referiu.

A Lusa tentou, sem sucesso, contactar a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), o porta-voz da Polícia de Segurança Pública (PSP) e o Ministério da Administração Interna, aguardando ainda uma informação da parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre o assunto. Também não foi possível contactar o embaixador da Guiné-Bissau em Portugal.

Foi marcada para esta segunda-feira, às 17h00, no aeroporto, uma "manifestação pela liberdade dos 41 estudantes guineenses retidos ilegalmente no Aeroporto de Lisboa e em condições preocupantes".

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