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DGS diz que estudo da OMS sobre dificuldade de contágio por coronavírus através do contato com objetos é inconclusivo

Graça Freitas sustentou que "não é um assunto encerrado", tanto mais que a OMS "continua a recomendar como essencial a desinfeção e a limpeza dessas superfícies".

18 de maio de 2020 às 18:53

A diretora-geral da Saúde afirmou hoje que o estudo da OMS que diz não ter encontrado evidências conclusivas da transmissão do SARS-Cov-2 através do contacto com superfícies "é inconclusivo" e que os cuidados de desinfeção devem ser mantidos.

"A Organização Mundial da Saúde [OMS] refere, de facto, que parece que é mais difícil do que se pensava a transmissão do vírus e das gotículas de superfícies e de objetos, nomeadamente as maçanetas das portas, por exemplo, (...) para o nosso trato respiratório", mas "isto não é um estudo conclusivo", disse Graça Freitas na conferência de imprensa diária da Direção-Geral da Saúde sobre a pandemia.

Graça Freitas sustentou que "não é um assunto encerrado", tanto mais que a OMS "continua a recomendar como essencial a desinfeção e a limpeza dessas superfícies".

"Na dúvida, porque há outros vírus cuja história nós conhecemos melhor e que se transmitem por essa via, é melhor continuarmos a ter precauções", defendeu, lembrando a importância de se continuar a desinfetar e a limpar os objetos e as superfícies e de não levar as mãos à boca e ao nariz depois de os ter tocado antes de as lavar.

"Vamos continuar a acompanhar a Organização Mundial da Saúde [e] se for assim, obviamente, é uma boa notícia porque permitirá o retorno à nossa vida normal, à dita normalidade, mais à vontade do que aquilo que estamos a fazer agora", mas é melhor seguir o "princípio de precaução".

As autoridades de saúde foram também questionadas na conferência de imprensa que se realiza no Ministério da Saúde, em Lisboa, sobre se estão a ser estudadas medidas no sentido de manter a distância social recomendada depois da elevada concentração de pessoas verificada no fim-de-semana nas praias e nas áreas que as circundam.

Em resposta, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou que as autoridades vão continuar "a confiar naquilo que é consciência social e que é o civismo do povo português", mas "sempre na observância daquilo que será o dinamismo do próprio surto".

"Não temos razão nenhuma para não acreditar. Tem sido extraordinário até aqui e, portanto, garantidamente que continuamos a acreditar que as pessoas têm o seu próprio bom senso, têm as suas próprias boas práticas, o povo português tem uma consciência social muito grande destas boas práticas", disse o governante.

Graça Freitas acrescentou, por seu turno, que "os ajuntamentos não se devem verificar", tirando pessoas que vivem na mesma casa.

"Manter a distância social a distância física segura com ou sem máscara é a maior forma de nos prevenirmos contra a doença e, portanto, quando formos para um sítio, por mais atraente que seja, que tenha muita gente devemos evitá-lo, não há outra receita para os ajuntamentos", defendeu.

Questionada sobre se haverá algum risco na região do Algarve ver o número de casos crescer com o desconfinamento, Graça Freitas afirmou que "é mais prudente não aligeirar", porque conseguiu "uma situação epidemiológica bastante boa", com um número relativamente pequeno de casos e 15 óbitos.

"O Algarve foi uma região do país com uma situação epidemiológica relativamente favorável quando comparada com outras regiões do país, onde tudo aparenta neste momento estar controlado, mas é exatamente esse ganho que não se pode perder", afirmou

Graça Freitas aconselhou que quem visitar a região e os próprios algarvios devem "continuar a ter o comportamento que têm tido até agora para evitar ao máximo ter novos casos" e ter "uma segunda onda menos benigna do que a primeira".

Portugal contabiliza 1.231 mortos associados à covid-19, mais 13 do que no domingo, em 29.209 casos confirmados de infeção, mais 173, segundo a DGS.

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