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Correio da Manhã

Sociedade
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António morreu à espera do resultado de um exame que custa 200 euros

Análise à biópsia de paciente com cancro não foi realizada devido à falta de um termo de responsabilidade.
8 de Maio de 2019 às 17:27
IPO de Lisboa
 Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa
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António Marques, de 61 anos, era doente oncológico diagnosticado com cancro do pulmão. Morreu no passado dia 27 de março sem fazer quimioterapia devido ao atraso do resultado de um exame, com um custo de 200 euros, que definiria o seu tratamento oncológico. Segundo o que o Correio da Manhã conseguiu apurar, este exame só começou a ser pago em novembro do ano passado.

António era acompanhado no Hospital de Portimão desde 26 de dezembro de 2018. A fim de se definir um tratamento, foi feita uma biópsia no dia 8 de janeiro, que iria ser encaminhada para o IPO de Lisboa para ser analisada.

Uma análise que deveria demorar, no máximo, sete dias, com divulgação dos resultados no prazo de quatro a seis semanas, nunca mais chegava. Um mês depois, no dia 23 de janeiro, Teresa Marques, mulher de António, recebeu a notícia de que o exame nunca tinha sido enviado para Lisboa.

Na verdade o exame foi enviado, porém recusado quando chegou ao IPO de Lisboa. A justificação da recusa prende-se com a falta de um termo de responsabilidade que funciona como uma garantia de pagamento que acompanhasse a amostra a ser analisada.

Um processo burocrático que durou 27 dias e que tirou tempo de vida a António. Depois da primeira recusa, o Centro Hospitalar Universitário do Algarve voltou a reenviar o exame para Lisboa no dia 19 de fevereiro, com a garantia de pagamento dos 200 euros. O resultado foi apenas revelado no dia 27, numa altura em que António já não aguentava as sessões de quimioterapia.

Entre a colheita e a divulgação dos resultados passaram 50 dias. Quase dois meses que em vez de 200 euros, custaram a vida de António.

O Correio da Manhã contactou o IPO de Lisboa que, em primeira instância, referiu que o exame "não tem qualquer tipo de custos". No entanto, num segundo contacto, já esclareceu que o exame afinal tem um preço a cobrar à entidade requisitante da análise.

Após ter conhecimento da situação, o PSD vai chamar à Comissão de Saúde do Parlamento a ministra da Saúde, Marta Temido, o IPO e o Centro Hospitalar do Algarve, na sequência dos casos de inexistência de exames para o cancro denunciados no programa 'Investigação CM' pela CMTV.

Também o IPO de Lisboa mandou abrir um processo de averiguações na sequência do caso noticiado. Contactado pela agência Lusa, o presidente do IPO de Lisboa, João Oliveira, afirmou que "a crítica de que a recusa do exame tivesse motivo financeiro não tem qualquer fundamento".

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