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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Federação Académica do Porto pede ao Governo correção de "desigualdades" no IRS Jovem

FAP alerta que apenas os jovens com rendimentos da categoria A beneficiam da redução imediata da retenção da fonte.

12 de novembro de 2025 às 08:31

A Federação Académica do Porto (FAP) manifestou esta quarta-feira "profunda preocupação com a desigualdade" criada na aplicação do IRS Jovem, por excluir trabalhadores independentes e profissionais liberais de usufruírem de benefícios fiscais, pedindo ao Governo uma correção da situação.

"O novo regime do IRS Jovem, alargado até aos 35 anos e com duração de 10 anos, foi apresentado como uma medida estruturante de apoio à fixação de jovens em Portugal, abrangendo rendimentos das categorias A (trabalho dependente) e B (trabalho independente). No entanto, a sua implementação tem revelado uma discriminação substancial e despropositada entre estas duas categorias de trabalhadores", lê-se na carta enviada aos grupos parlamentares e deputados da Assembleia da República a que a Lusa teve esta quarta-feira acesso.

A FAP alerta que, no entanto, apenas os jovens com rendimentos da categoria A beneficiam da redução imediata da retenção da fonte, uma vez que podem comunicar à entidade empregadora a aplicação da taxa reduzida.

"Já os trabalhadores independentes -- que enfrentam, na maioria dos casos, maior precariedade e irregularidade de rendimentos -- ficam excluídos desse benefício imediato, sendo obrigados a suportar integralmente a retenção mensal e a aguardar reembolso em sede de liquidação anual de IRS", lê-se na carta.

A FAP apela ao Governo para que "corrija rapidamente" essa "desigualdade" e apela a todos os grupos parlamentares que promovam, "com caráter de urgência, as alterações legislativas e/ou normativas necessárias".

"Não há jovens de primeira, nem de segunda. Para muitos profissionais liberais e jovens a recibos verdes esta diminuição da liquidez imediata tem consequências gravíssimas na qualidade de vida e no equilíbrio financeiro mensal. Todos devem ser tratados com a mesma dignidade e com as mesmas oportunidades", defende o presidente da FAP, Francisco Porto Fernandes, em comunicado enviado à Lusa.

Na carta enviada aos deputados, a FAP solicita uma "intervenção urgente relativamente a uma grave e injusta desigualdade identificada na aplicação prática do novo regime do IRS Jovem".

A FAP apela à "adoção de ajustes técnicos e legislativos" que garantam igualdade no acesso aos benefícios fiscais do IRS Jovem, independentemente do vínculo laboral ou da forma de prestação de serviços".

Para a FAP, esta "desigualdade criada na aplicação do regime do IRS Jovem" é "inaceitável e contrária ao princípio da equidade fiscal".

A situação é "perversa", classifica Francisco Fernandes.

Na sua opinião, o "Estado está a exigir que os jovens trabalhadores independentes -- muitos deles em situações de instabilidade financeira e maior precariedade -- financiem o Estado durante mais de um ano, 'emprestando' um dinheiro que lhes pertence".

"Esta diferenciação viola o princípio da equidade fiscal e contraria o propósito do regime do IRS Jovem, cuja finalidade é promover a autonomia dos jovens e aliviar a carga fiscal no início das suas carreiras profissionais", argumenta.

O presidente da FAP considera que sem uma "intervenção imediata" o regime perde o seu propósito essencial, que é "ser um instrumento de apoio à emancipação e estabilidade financeira dos jovens trabalhadores, independentemente da forma como exercem a sua atividade".

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