Banana encontrou na ilha da Madeira o microclima ideal e tornou-se num 'ex-libris' regional que, agora, dá nome a um museu.
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Não é da Madeira, mas é como se fosse. Originária do sudeste asiático, a banana encontrou na ilha o microclima ideal e tornou-se num 'ex-libris' regional que, agora, dá nome a um museu.
Criado há quase quatro anos, o Centro da Banana da Madeira (BAM), no Lugar de Baixo, concelho da Ponta do Sol, emerge numa das zonas mais soalheiras da ilha e inclui um museu, estufas, plantações e uma cafetaria.
A banana da Madeira, que se distingue pelo seu tamanho reduzido e pela sua doçura intensa, é parte indissociável da história regional. No BAM podem ser encontradas 18 variedades do fruto, mas a maioria não é comercializada.
Neste espaço, entre o vale montanhoso e o mar, é dada a conhecer a história e um conjunto de curiosidades sobre a banana, através de ferramentas imersivas e digitais.
Logo no início da visita, um pequeno holograma mostra o ciclo de vida de uma bananeira. "Conseguimos ver o desenvolvimento da planta em si até ao momento em que ela produz um cacho", salienta Cláudia Teixeira, guia no museu.
"Explicamos também que as bananeiras não são mesmo originárias cá da ilha, que acreditamos que elas foram trazidas para aqui do sudeste asiático, pelos navegadores, após o descobrimento oficial da ilha", destaca a funcionária, em declarações à agência Lusa.
Eleito em 2023 como o melhor museu português na categoria de conteúdos digitais, pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM), o equipamento conta também com o Pedro, um guia virtual poliglota que responde a cinco perguntas predefinidas num 'tablet' e que podem ser escolhidas pelos visitantes.
"Quantos cachos de banana produz uma bananeira?" é uma das opções. À qual o Pedro responde: "Uma bananeira nasce, desenvolve-se, produz apenas um cacho e depois morre. Salvo raríssimas exceções cada bananeira dá só um cacho de bananas, que em média pesa cerca de 35 a 45 quilos".
Pedro explica igualmente que "a bananeira não é verdadeiramente uma árvore, mas sim uma erva gigante, não tem tronco, mas sim um falso calo, que é formado pelas bainhas das folhas enroladas umas nas outras e que termina com uma copa de folhas compridas e largas".
No museu aprende-se também o tempo de desenvolvimento de uma bananeira (entre 12 e 14 meses, normalmente), a história e o percurso deste superalimento até ser introduzido no consumo.
Além de mostrar a banana, o centro interpretativo, responsabilidade da Gesba (empresa pública que gere o setor), pretende ser um modelo das "técnicas e boas práticas que os produtores podem replicar para as suas culturas nos terrenos", realça o administrador Nuno Barros à Lusa.
"Desde os sistemas de rega, os sistemas de corta-vento, de amarração das bananeiras para que elas não caiam, de transporte de cachos", exemplifica.
"Quem nos conhece, quem nos visita, fica a olhar para a banana da Madeira, para o modo de cultivo e para a produção de uma forma diferente", afirma.
O responsável destaca que o BAM é uma "homenagem à agricultura, à cultura e à terra", sendo também, por outro lado, uma oportunidade para divulgar o produto, que no ano passado atingiu as 20,9 mil toneladas.
Ainda assim, estes são números que estão longe dos do início da década de 90, quando a produção de banana atingiu cerca de 50 mil toneladas. Com o crescimento exponencial da construção civil, vários terrenos agrícolas foram substituídos e a produção diminuiu.
O BAM registou 65 mil visitas em 2025 e a estimativa para este ano é atingir as 85 mil entradas. O objetivo da empresa pública responsável pelo espaço passa por ampliar o museu e alargar a oferta lúdica do espaço que, com a produção existente no próprio local, permite que o espaço seja autossustentável.
Nos socalcos do Centro da Banana da Madeira são produzidas 50 a 55 toneladas de banana por ano no BAM, que conta com um total de sete funcionários, refere o administrador.
Nas estufas do BAM, que também podem ser visitadas, as plantas ficam a "ganhar mais maturidade até ficarem num ponto ótimo para serem plantadas pelos agricultores", explica Nuno Barros.
O administrador acrescenta que estas bananeiras, que estiveram antes em laboratório, "são isentas de fungos e doenças", pelo que os agricultores que as adquiram por esta via "têm a garantia de que vão ter uma boa cultura e um bom produto final".
O espaço oferece ainda uma cafetaria onde a banana é a estrela, dos bolos às bebidas.
O BAM está aberto todos os dias, entre as 09h00 e as 18h00, no inverno, e até às 19h00 no verão. Um bilhete normal custa nove euros e os residentes na Madeira não pagam entrada no último sábado de cada mês. Os produtores e os seus familiares podem visitar gratuitamente.
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