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Correio da Manhã

Sociedade
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Fundação Jornada Mundial da Juventude diz que infraestruturas "devem ter em mente dimensão do encontro"

Organização compromete-se a divulgar os custos e os investimentos do evento.
Lusa 25 de Janeiro de 2023 às 21:32
Papa Francisco vai ter altar 18 vezes mais caro do que o de Bento XVI
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A Fundação Jornada Mundial da Juventude defendeu esta quarta-feira que todas as infraestruturas para o evento "devem ter em mente a dimensão do encontro", que deve acolher um milhão de peregrinos, e comprometeu-se a divulgar os custos do evento.

"Todas as infraestruturas associadas - sendo que, até à data, o Parque Tejo é o local confirmado para os eventos centrais (vigília e missa final) - devem ter em mente a dimensão do encontro. Percebemos bem a dificuldade de visualizar e apreender a dimensão da JMJ [Jornada Mundial da Juventude] e a escala necessária para o encontro de cerca de um milhão de peregrinos com o Papa - para a qual não existem infraestruturas preparadas em Lisboa", lê-se numa resposta da fundação enviada à Lusa.

A Câmara Municipal de Lisboa (CML) adjudicou por ajuste direto a construção do palco-altar da JMJ por 4,24 milhões de euros, o que motivou queixas de "falta de transparência" por parte da oposição ao executivo de Carlos Moedas e um pedido do Chega para que o presidente da CML vá ao parlamento explicar os custos do evento que traz o papa Francisco a Portugal em agosto.

Segundo a informação disponibilizada no Portal Base da Contratação pública, a construção do palco-altar "foi adjudicada por 4,24 milhões de euros (mais IVA)", somando-se ainda a esse valor "1,06 milhões de euros para as fundações indiretas da cobertura".

"A Fundação JMJ compromete-se a divulgar, ao longo do projeto, os custos e os investimentos deste acontecimento inédito para o nosso país que são da sua responsabilidade", acrescenta ainda a fundação na nota.

Na quarta-feira, Carlos Moedas disse que sabia que a construção do altar-palco para a JMJ ia ficar muito cara, indicando que será realizada com as especificações da Igreja.

Na nota esta quarta-feira enviada, a Fundação JMJ refere que "tem vindo a desenvolver o planeamento" do evento "com todas as partes envolvidas na organização", ou seja, o Governo e as autarquias de Lisboa, Loures, Cascais e Oeiras, "em estreita colaboração e cooperação desde o início".

E embora considere "incerta a afluência", refere os 400 mil peregrinos já inscritos, o que dá "alguma perspetiva de que será um acontecimento com uma dimensão inédita em Portugal".

"Neste contexto, o trabalho desenvolvido para os projetos de infraestruturas tem vindo a considerar cenários quanto à afluência aos eventos e também requisitos técnicos necessários para garantir a viabilidade dos locais, nomeadamente em termos de segurança, acessibilidade e sustentabilidade", defende a fundação.

E são as questões técnicas e de segurança que justificam a dimensão do palco-altar que tem gerado polémica, de acordo com a entidade.

"Considerando que, tradicionalmente, a missa final conta com o maior número de peregrinos, o altar do Parque Tejo terá cinco mil metros quadrados, com capacidade para acolher duas mil pessoas, nomeadamente bispos, celebrantes, coro, orquestra e equipa técnica e de língua gestual. É erguido, para ser visível por todos os peregrinos, a uma altura de quase três andares, contando com dois elevadores de apoio à mobilidade reduzida e escadaria central de acesso, além de uma cobertura que implica uma estrutura sólida e segura", refere a nota.

Na passada quinta-feira, a CML aprovou a contratação de um empréstimo de médio e longo prazo, até ao montante de 15,3 milhões de euros, para financiar investimentos no âmbito da JMJ.

A Jornada Mundial da Juventude é o maior encontro de jovens católicos de todo o mundo com o Papa, que acontece a cada dois ou três anos, entre julho e agosto.

A Jornada Mundial da Juventude, considerada o maior acontecimento da Igreja Católica, vai realizar-se este ano em Lisboa, entre 1 e 6 de agosto, sendo esperadas cerca de 1,5 milhões de pessoas.

As principais cerimónias da jornada decorrem no Parque Tejo, a norte do Parque das Nações, na margem ribeirinha do Tejo, em terrenos dos concelhos de Lisboa e Loures.

As jornadas nasceram por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

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