Almirante e ex-candidato presidencial falou no julgamento do jornalista que acusa de difamação por textos relacionados com a vacinação da Covid-19.
Henrique Gouveia e Melo disse esta quinta-feira, no julgamento do jornalista que acusa de difamação por textos relacionados com a vacinação da Covid-19, que as listas de prioritários a vacinar eram feitas por entidades externas e era impossível verificá-las.
O julgamento resulta de duas queixas contra o diretor do jornal online Página Um, Pedro Vieira, incluindo uma de Henrique Gouveia e Melo, que coordenou a 'task force' da vacinação para a Covid-19, pela publicação de artigos sobre o processo de vacinação.
No tribunal de Lisboa, o almirante na reserva começou por referir que Pedro Vieira colocou em causa o seu bom nome ao escrever um artigo que alegava que Henrique Gouveia e Melo tinha facilitado a vacinação de cerca de quatro mil médicos no Hospital das Forças Armadas e que a Ordem dos Médicos teria feito um pagamento pelo processo de vacinação destes médicos.
"Eu não tive nada a ver com esse processo de vacinação. Isso foi uma escolha da Ordem dos Médicos", sublinhou Henrique Gouveia e Melo, explicando que a lista de pessoas consideradas prioritárias no processo de vacinação, nomeadamente os profissionais de saúde, foi feita por instituições externas que escolhiam as pessoas a vacinar, como as ordens que representam os profissionais de saúde.
A propósito deste caso, Henrique Gouveia e Melo disse não ser possível, durante o processo de vacinação contra a covid-19, confirmar as listas que eram entregues, nem verificar cada pessoa que constava nessa lista.
"Atribuímos essa responsabilidade às ordens. Atribuímos aos responsáveis dessas entidades a seleção e a escolha das pessoas e onde é que entregaríamos as vacinas (...). Não tínhamos meio de controlar isso. Tenho de acreditar que as pessoas que me davam as listas cumpriam os seus deveres", explicou.
Sobre se sabia a razão pela qual cerca de quatro mil médicos foram vacinados fora dos centros de vacinação, o almirante na reserva afirmou que essa "foi uma escolha da própria ordem".
Henrique Gouveia e Melo negou ter recebido denúncias relativas à vacinação destes cerca de quatro mil médicos, mas avançou ter recebido muitas denúncias durante todo o processo, que foram encaminhadas para o Ministério da Saúde, para a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde e para a Polícia Judiciária.
Este julgamento resulta de duas queixas contra o diretor do jornal online Página Um, Pedro Vieira. Uma das participações criminais foi feita por Henrique Gouveia e Melo, candidato à Presidência da República na primeira volta das eleições.
Em causa estão textos que ligam Henrique Gouveia e Melo a um alegado processo de vacinação de cerca de quatro mil médicos.
Durante a primeira sessão deste julgamento, o arguido referiu que teve acesso à informação que consta no artigo através de documentação obtida depois de ter avançado com uma intimação para o Tribunal Administrativo e que dava conta de um pagamento feito pela Ordem dos Médicos ao Hospital das Forças Armadas, na sequência do processo de vacinação de cerca de quatro mil médicos.
"Foi com base nessa documentação que eu escrevi os textos", disse Pedro Vieira, em novembro do ano passado.
A outra queixa que deu origem ao processo agora em julgamento foi feita na sequência da publicação de artigos relacionados com alegadas ligações financeiras entre médicos e farmacêuticas envolvidas em contratos com o Estado durante a pandemia de Covid-19.
Nesta queixa-crime, a Ordem dos Médicos e os médicos Miguel Guimarães, Filipe Froes e Luís Varandas pretendem que seja pago pelo arguido o valor de 60 mil euros de indemnização.
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