Valor em causa será distribuído pelas denominadas regiões de convergência (Norte, Centro e Alentejo).
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O Governo tem destinados 160 milhões de euros de fundos europeus para concursos de doutoramento, o que permitirá aumentar também o número de bolsas, anunciou esta sexta-feira o ministro do Planeamento, Nelson de Souza.
"Ao todo vai estar a concurso um montante muito significativo, diria mesmo que se trata de uma das mais significativas iniciativas em termos de volume financeiro; são 160 milhões de euros de fundos que vão ser alocados a programas de doutoramento", afirmou Nelson de Souza na Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, durante a apresentação dos programas de doutoramento e pós-doutoramento financiados pelos programas operacionais regionais do Portugal 2020.
Na presença de representantes de universidades, centros de inovação e investigação, bem como de empresas e outras entidades, Nelson de Souza explicou que o valor em causa será distribuído pelas denominadas regiões de convergência (Norte, Centro e Alentejo) e anunciou que a maioria dos concursos já está a decorrer.
O ministro ressalvou que as restantes regiões não ficam fora dos apoios, já que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) aplica receitas próprias para promover essa componente nas restantes zonas do país.
O conjunto das duas iniciativas também vai permitir que o número de bolsas a atribuir nesta legislatura duplique, passando das 957 atribuídas em 2015 para 1.900 novas bolsas, que serão agora disponibilizadas aos investigadores de todo o país, revelou o secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, João Sobrinho Teixeira.
Segundo os dados hoje divulgados pelo MCTES, este número permite que a Fundação para a Ciência e Tecnologia recupere "os valores máximos de novas bolsas apoiadas" e também representa um aumento em cerca de 450 bolsas face a 2018, ano em que foram concedidas cerca de 1.470 bolsas.
Uma aposta que, destacou o ministro do Planeamento, está integrada na estratégia que elege a promoção da investigação e desenvolvimento como veículo para que o país possa continuar a crescer.
"Hoje em dia não é possível crescer sem recursos humanos qualificados. Hoje em dia não é possível crescer sem termos capacidade de gerar conhecimento. Hoje em dia não é possível crescer, mesmo criando conhecimento, se não tivermos capacidade de transferir esse saber para as atividades económicas", ressalvou.
Nelson de Souza revelou ainda que, no âmbito do programa Portugal 2020 já foram investidos 1,7 mil milhões de euros em investigação e desenvolvimento, sendo que 60% desse valor foi para instituições de investigação e os restantes 40% foram assegurados por empresas.
Segundo apontou, dos 60% do lado das universidade e centros de saber, um terço já é absorvido por projetos que são implementados em parceria com empresas.
Tal, sublinhou, desmente o estereótipo que foi erradamente criado de que a investigação em Portugal está alheada dos territórios e das empresas.
"Para além da convergência económica, voltamos a retomar o caminho da aposta na investigação e desenvolvimento, voltamos a retomar o caminho na transferência desse conhecimento para as nossas empresas, voltamos a retomar o caminho da aposta na qualificação dos nossos recursos humanos, quer estejam eles na produção do conhecimento quer estejam eles na atividade produtiva das nossas empresas", acrescentou.
Para a região Centro estão reservados 60 milhões de euros do total dos fundos, sendo que os concursos já foram abertos e se prolongam até 30 de setembro, como informou a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Ana Abrunhosa.
Anfitrião nesta cerimónia, o reitor da UBI, António Fidalgo, também sublinhou a importância destes programas para promover o desenvolvimento e a coesão do país e garantiu que a UBI também pretende aumentar o número de doutorandos e em particular a percentagem dos doutorandos estrangeiros, que neste momento já é de 37%.
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