Sobre o impacto em medicamentos, ainda não se verificam ruturas.
Alguns hospitais já enfrentam dificuldades na compra de consumíveis, como luvas e sacos, devido à forte subida dos preços de matérias-primas causada pela guerra no Médio Oriente, alertou esta quarta-feira a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH).
A TSF noticiou esta quarta-feira que o conflito está a aumentar o risco de virem a faltar dispositivos médicos em Portugal, com empresas responsáveis pelo abastecimento de hospitais e clínicas a referirem que as falhas não são generalizadas, mas já se sente escassez de alguns produtos, como luvas, batas cirúrgicas ou máscaras.
Contactado pela agência Lusa, o presidente da APAH, Xavier Barreto, afirmou que a associação tem relatos de alguns hospitais com dificuldades na compra de consumíveis, como luvas e sacos, que dependem de matérias-primas do setor petroquímico.
"Todos estes consumíveis tiveram um aumento muito significativo de preço, em alguns casos 30%, 40%, 50%, num espaço de tempo muito curto, desde que começou este conflito no Médio Oriente", salientou.
Xavier Barreto explicou que a compra destes consumíveis e materiais está ao abrigo de contratos públicos previamente estabelecidos, o que cria um problema.
"Um fornecedor que se comprometeu a entregar ao hospital [os materiais] a um determinado preço, vê-se agora confrontado com uma subida enorme e não consegue manter o preço já pré-acordado com o hospital", sublinhou.
Disse ainda que existem concursos que estão a decorrer e com dificuldade em encontrar a quem possam adjudicar a compra de um determinado bem, porque os fornecedores não querem correr o risco de apresentar um preço que depois não possam cumprir.
"Estamos perante um período de enorme incerteza, de uma enorme volatilidade de preços. Estão a subir muito neste momento, mas se o conflito parar também é possível que baixem muito rapidamente", comentou.
Por outro lado, referiu, "os fornecedores também não querem fazer 'stock' de um material ou de um consumível a um preço muito elevado, sabendo que dentro de algumas semanas, se calhar, já não conseguem vender a esse preço elevado e acabam por ter um 'stock' que não conseguem escoar".
O responsável admitiu que se está perante "um problema que pode vir a ser complicado".
Questionado se os hospitais têm reservas destes materiais, afirmou que para a quantidade que é necessária, não têm.
"Tudo o que são exames, observações de doentes, cirurgias (...) consome uma grande quantidade, por exemplo, de luvas", que é dos bens com mais subida de preço.
Para o presidente da APAH, o Governo tem que olhar para esta realidade de "uma outra forma", à semelhança do que fez durante a pandemia de covid-19.
"Durante a covid também tivemos este tipo de disrupções de cadeias de abastecimento, até mais do que preços, e houve um foco, eu diria até uma atenção diferente, para esta questão por parte do Governo, porque era importante continuar a abastecer os hospitais para continuarem a prestar cuidados", salientou.
Xavier Barreto está convicto que o Governo também o fará nesta circunstância, defendendo que seria importante "dar algum conforto a quem está a comprar e a vender", para garantir que estas variações de preço não representam "um risco demasiado elevado" para os fornecedores
"No fundo, garantir alguma partilha no risco, tendo em conta que são circunstâncias excecionais", declarou.
Sobre o impacto em medicamentos, o responsável afirmou que ainda não se verificam ruturas, mas disse ser "uma questão de tempo".
"Se no futuro houver disrupção de cadeias de abastecimento, nomeadamente por quebra nos transportes, transporte aéreo e outros, obviamente também poderão existir consequências nos medicamentos", acrescentou.
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